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“No Vale de Elah/In the Valley of Elah” de Paul Haggis


Nota-se que Paul Haggis tem uma sensibilidade diferente para filmar dramas emotivos!

Não sei se é resultado da sua convivência artística com Clint Eastwood ou se é próprio da sua natureza mas parece evidente que o realizador de Crash (e argumentista frequente de Eastwood) partilha com o “seu mentor” a mesma melancolia, o mesmo cuidado em filmar de forma bela e subtil a dor, a raiva, a paixão que invade os protagonistas das suas obras.

Desta vez o grande beneficiário foi Tommy Lee Jones, numa interpretação muito segura e inspiradora que lhe valeu a sua 3ª nomeação aos Oscars (1ª como Actor Principal), num ano em que brilhará também no muito aguardado No Country for Old Man.

Jones interpreta Hank Deerfield, um reformado do exército norte-americano, de regresso à sua base militar para tentar descobrir o paradeiro do seu filho que se encontra de licença depois de mais uma campanha no Iraque. Entre flashbacks, as fotos que recebeu do seu filho e os vídeos que este gravou no telemóvel iremos percebendo aos poucos o que está por detrás desse desaparecimento, ao mesmo tempo que compreendemos o género de relação existente entre pai e filho.

Para o ajudar, Hank contará apenas com o auxílio da detective Emily Sanders (Charlize Theron), também ele rodeada das suas dúvidas e dos seus problemas, perante um corpo policial demasiado preocupado com questões supérfluas.

Dotando-a de uma forma muito própria de demonstrar os seus sentimentos e os seus valores, Jones transmite à sua personagem uma densidade e um rigor invejável, evidenciado pelos pequenos pormenores que o acompanham no dia-a-dia.

Em última análise o filme poderá ser encarado como mais um veículo para a crítica cinematográfica à política internacional da Administração Bush. Tenho pena que assim o seja.
Mais que um crítica política, o filme é uma bela mas contundente história da dificuldade de relacionamento entre pais e filhos, especialmente perante famílias (norte-americanas) que vive quase em exclusivo ao serviço (militar) do seu país.

Não se trata de uma obra-prima ao nível de Crash mas isso não quer dizer que não seja um filme bastante interessante e que nos deixa a pensar nele alguns dias depois do vermos…

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