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“Gran Torino” de Clint Eastwood


Descobri pela 1ª vez o realizador Clint Eastwood em 1999 com o subvalorizado True Crime. O senhor já tinha ganho um Oscar por Unforgiven mas, em 1992, a adolescência não me permitiu descortinar totalmente a qualidade do seu trabalho!

De True Crime retenho, desde logo, a sua capacidade quase poética para nos contar histórias intensas, a sua preocupação em nos proporcionar um climax bem elaborado e o maravilhoso gosto e talento para a música (na altura Diana KrallWhy Shoul I Care).

Não querendo estender em demasia a reflexão, cinjo-me a 2008, ano que confirmou por completo estas suas características. 1º com o sensível Changeling e, agora, este poderoso Gran Torino. Cada um há sua maneira reflecte com enorme precisão o que de melhor Eastwood “nos oferece”.
Somos uns privilegiados por estarmos do lado de cá…

Em Gran Torino Eastwood acumula as funções de realizador com as de protagonista (para uma despedida, diz ele!?), recuperando a sua eterna imagem de durão solitário.
No entanto, Walt Kowalski não é uma personagem consensual. Veterano da Guerra da Coreia, Walt nutre um repúdio doentio pelos asiáticos (e pela maioria das pessoas, deva-se dizer!), agravado pela sua actual situação de vizinho de uma tradicional família Hmong (povo originário do leste asiático).
A sua postura vai-se alterando lentamente devido à cumplicidade que cria com Thao (Bee Vang) e Sue (Ahney Her), 2 jovens irmãos que vivem mesmo na casa ao lado.
Após a relutância inicial, motivada pela desconfiança de todos, Walt irá guiar os dois jovens pelos caminhos da vida, ao mesmo tempo que tenta lidar, à sua maneira, com os seus próprios problemas, nomeadamente, a relação com os filhos, a persistente presença do jovem padre da paróquia local (Christopher Carley) e …

Rapidamente nos agarramos a esta personagem (e ao seu sublime Ford Gran Torino de 1972), mesmo não compartilhando todas as suas convicções ou a forma de as expressar.
Eastwood é a todos os níveis um Mestre do cinema, pautando o seu trabalho (mais recente) pelo encadeamento de sucessivos Clássicos do cinema norte-americano.
A forma (quase) poética como revela o mundo e a vida das suas personagens, toca-nos a todos nas mais diferentes formas, impossibilitando-nos de lhes ficarmos indiferentes!

Lamentável a ausência do filme nos prémios da Academia, talvez justificada pela tardia presença do filme nas salas de cinemas e, sobretudo, nas conversas de corredor que criam o buzz necessário para um filme se tornar num candidato.

Mas penso que não será motivo para alarme. Eastwood está já a filmar The Human Factor, filme sobre Nelson Mandela e o fim do Apartheid, contanto com Matt Damon e Morgan Freeman!
Algo me diz que no final deste ano voltaremos a ouvir falar dele(s)…

Site Oficial
Trailer

A música de Jaime Cullum. Sem palavras…

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