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“Duplo Amor (Two Lovers)” de James Gray


“O coração tem razões que a própria razão desconhece!”

Caso raro na cinematografia norte-americana (talvez apenas comparável a Woody Allen), James Gray é bem mais reconhecido e amado na Europa (sobretudo em França) do que propriamente no seu país de origem.
Com a sua 4ª obra, o realizador nova-iorquino soma a 3ª participação em Cannes, sempre competindo para a Palme d’Or – curiosamente contando em todas elas com Joaquin Phoenix como (co-)protagonista.

Centralizando a totalidade da sua obra na cidade que o viu nascer e senhor de um estilo e de uma concepção muito própria (e em muito contrastante com o dito cinema comercial made in USA), Gray é responsável por um invejável conjunto de obras em que as contradições da condição humana, nomeadamente o eterno conflito entre emoção e razão, é exposta sem medos nem conservadorismo.

Se a família e a lei eram os baluartes dos seus anteriores filmes, desta vez o amor parece assumir pleno destaque. O seio familiar (de uma família judaica de origens russas a viver em New York) será o ponto de partida para esta reflexão, no entanto, a história cedo ganha contornos de romance melodramático, evidenciado pela relação a 4(?!?!) que conduz toda a narrativa.

Desfeito por um recente desgosto amoroso, Leonard (Phoenix) denota extremas dificuldades em encontrar um novo rumo (e justificação) para a vida.
De regresso a casa dos pais, onde tenta ultrapassar os seus problemas pessoais, ele irá ser apresentado a Sandra (Vinessa Shaw) a filha de um parceiro de negócios do seu pai que nutre por ele uma “secreta” atracção. Ainda não refeito dessa aproximação, ele irá conhecer a sua enigmática nova vizinha (Gwyneth Paltrow), por quem se apaixona de imediato.
Aos poucos cada um vai revelando os seus mais profundos intentos até que, divido entre dois rumos, Leonard terá de tomar (provavelmente) a decisão mais importante da sua vida!

We Own the Night (anterior filme de James Gray) era, sem dúvida, uma obra bem mais poderosa, incisiva e apaixonante, no entanto Two Lovers, ao alterar o enfoque da narrativa para o sentimento mais genuíno que existe, o Amor, apresenta-se como um filme mais sublime, emotivo e impreciso, deixando ao critério de cada um a avaliação moral das acções e decisões dos seus intervenientes.

Faz-nos pensar e reflectir sobre todos os imponderáveis e perturbações que podem condicionar as relações humanas, sobretudo quando estas são vividas de forma tão intensa e instintiva como é o caso.

No final, o desenlace pode parecer demasiadamente usual… mas em última análise, não serão assim todas as relações entre seres humanos?

A razão prevalece ou haverá sempre coração em todas as decisões?
Para descobrir numa sala perto de si…

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