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“Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro” de José Padilha


O maior sucesso brasileiro de todos os tempos (pelo menos em termos de bilheteira) chega agora aos cinemas portugueses… uns bons 6(!) meses depois da sua estreia no seu país de origem!
Mas a verdade é que podia ser bem pior… o seu antecessor, por exemplo, demorou 9(!!) meses a atravessar o oceano atlântico!

Corria o ano de 2007 quando José Padilha e a sua equipa irromperam por entre o panorama cinematográfico brasileiro com um filme violento, cru e viciante que retratava a intensa luta (para não chamar guerra!) travada nas favelas do Rio de Janeiro, entre traficantes e o BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais).

A irreverência do seu realizador valeu a Tropa de Elite o Urso de Ouro no Festival de Berlim e mais de 2,5 milhões de espectadores nas telas brasileiras (já para não falar nos milhões que viram o filme em casa graças à maciça pirataria de que foi alvo!).

3 anos depois a equipa está de volta! E o resultado não podia ser mais avassalador! 11 milhões de espectadores (é mais do que toda a população portuguesa, só para termos uma ideia!) mais que quadriplicaram a audiência do seu antecessor e tornaram-no no filme brasileiro mais visto de sempre! E o mais interessante de tudo, é que o filme não se resume a ser mais… do mesmo!

Tropa de Elite 2 retira a acção dos morros do Rio de Janeiro e transporta-a para os gabinetes de políticos e da polícia! Como o próprio título do filme alude, o alvo da “ira” de José Padilha deslocou-se da “frente de combate” para os seus bastidores, onde os verdadeiros crimes são cometidos, sem respeito pelo próximo, sem remorsos e sem castigo!

13 anos passaram-se desde os acontecimento retratados no 1º filme. O Capitão Nascimento (Wagner Moura) permanece como responsável máximo do BOPE até que uma acção das suas forças especiais na prisão mais mediática do Rio de Janeiro, Bangu I, desencadeia uma série de acontecimentos com repercussões imprevisíveis.
Longe do campo de batalha, Nascimento terá que aprender a lidar com o defensor dos direitos humanos Diogo Fraga (Irandhir Santos), com os políticos (corruptos) que limitam e direccionam a sua acção e com a sua própria família, devastada pela sua mediática carreira policial.

Pese embora a qualidade das cenas de acção, tendencialmente o filme foge desse campo visual, preocupando-se muito mais em expor os efeitos nefastos da corrupção nos corredores do poder!
E o mínimo que se pode dizer é que é com imenso terror e sofridão que assistimos ao desenrolar de uma história que lamentavelmente caracteriza com exactidão uma larga franja da classe política (e policial) brasileira, sustentada pela opressão, pela corrupção e pelo desprezo para com aqueles que não a sustenta!

Se Tropa de Elite era um grito de aviso perante o quotidiano das favelas onde alguns senhores (de guerra) ditavam leis e governavam-se a si mesmo, o seu sucessor é quase como um novo Grito de Ipiranga perante aqueles que conduzem o país (do Rio ao Planalto) envoltos numa intensa névoa de corrupção, compadrios e violência!

Ficção ou realidade, como o próprio filme faz questão de alertar logo no início, a obra de José Padilha faz o suficiente para nos deixar inquietos…
Quanto a Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Sandro Rocha e Milhem Cortaz (para mencionar apenas os mais proeminentes actores do filme) carregam consigo um misto de virilidade, de loucura e de sensibilidade que aproxima o filme dos espectadores de forma quase magnética!

Pouco mais haverá a dizer, para além de…
Que ganda filme!

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