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“Este é o Meu Lugar (This Must be the Place)” de Paolo Sorrentino


Sean Penn ao nível de Meryl Streep… é o mínimo que se pode dizer a respeito do seu magnífico desempenho!

Julgo que o filme apenas será elegível para os Oscars deste ano e o nome de Sean Penn será, certamente, um dos indicados! E porque não um 3º Oscar? É deste nível a sua performance em This Must be the Place!

Realizado pelo italiano Paolo Sorrentino, o filme é uma pequena pérola em bruto, roçando a apatia mas revelando-se algo bem mais profundo e consistente do que seria, à primeira vista, previsível!

No centro do filme encontramos um irreconhecível Sean Penn, na personagem de Cheyenne uma estrela rock dos anos 70 que vive dos rendimentos (e dos investimentos) proporcionados por uma carreira intensa mas há muito abandonada.
Este “boneco” composto por Penn é verdadeiramente desconcertante, tanto pelo aspecto visual, como pelos tiques envergonhados, como pela pesada alma que demonstra carregar.
Sem dúvida que a caracterização ajuda a valorizar o desempenho mas apenas um actor de ENORME qualidade seria capaz de se deixar diluir numa personagem ao ponto de nos esquecermos, por completo, do actor por detrás da “máscara”!

Na primeira parte do filme, assistimos à vida sem rumo de Cheyenne em Dublin, República da Irlanda, onde o cantor há muito se refugiou, vivendo uma pacata e a momentos apática existência junto à sua mulher (Frances McDormand), que o compreende melhor que ninguém, e alguns amigos igualmente peculiares.
Porém, tudo se transforma quando Cheyenne é informado do estado terminal do seu pai e viagem para os EUA. Apesar de há muito não se falarem, o ex-rock star será impelido a concretizar o longo projecto de vida do pai, encontrar o seu carrasco de Auschwitz.
Submerso pelos mais recôntidos locais dos EUA, Cheyenne irá perseguir as poucas pistas deixadas pelo seu pai, numa viagem que se revelará bem mais introspectiva do que ele próprio poderia antecipar.

Está longe de ser um filme fácil. This Must be the Place é uma obra que vive de pequenos detalhes, de uma sensibilidade inconstante e de uma profundidade apenas acessível a quem se deixa levar pelo filme.
Neste aspecto intenso destaque para um banda-sonora fabulosa onde se destaca o nome de David Byrne (também ele com um pequeno papel no filme) e que ajuda a criar uma atmosfera verdadeiramente condizente com a alma de Cheyenne.

Uma surpresa reveladora que poderá tornar-se, facilmente, num dos grandes (pequenos) filmes de 2012!

 

IMDB
Trailer

A música que dá nome (e espírito) ao filme:

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