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“Tabu” de Miguel Gomes


Depois dos elogios e dos prémios (em especial o da Crítica no Festival de Cinema de Berlim), tornou-se quase obrigatório…

Filmado a preto e branco e com escassos diálogos (grande parte do filme é acompanhado pela voz do narrador), Tabu é, antes de mais, uma representação artística daquilo que o cinema foi pode ser.

Dividido em dois actos distintos, o primeiro denominado de “Paraíso Perdido” e o segundo de “Paraíso“, o filme desenrola-se igualmente a duas velocidades.
A 1º parte, muito pobre, com diálogos parcos e irreais, arrasta-se até ao seu desinteressante desenlace, deixando no ar uma forte dúvida quanto ao brilhantismo de tão conceituado filme.

Já a 2º parte, totalmente localizado em Moçambique (junto ao omnipresente monte Tabu), transporta consigo um misticismo e uma doce ironia que compensa totalmente qualquer apatia inicial. O maior senão é mesmo a opção (artística) de excluir diálogos e deixar tudo nas mãos (ou na voz) do terno narrador que conta a sua versão dos factos. Entende-se a opção, faz dele um filme mais coerente e enigmático mas, em contrapartida, afasta muito do público.

Inquestionávelmente um filme de autor, Tabu vive do amor proibido entre Aurora (Ana Moreira) e Ventura (Carloto Cotta) mas, igualmente, de uma memória raramente explorada no cinema português, sobre os ricos fazendeiros que exploravam terras do ultramar. O fado nacional “obriga” a que se conte apenas as Histórias de quando regressaram, do tudo que perderam, negligenciando, por completo, os momentos prósperos e românticos das suas vidas em África.

Para mim Tabu, mais do que pela sua componente artística, vale pela coragem em explorar os momentos positivos de um período muitas vezes esquecido… Obviamente recorrendo a uma história “fatídica” mas tudo bem! 
Depois do reconhecimento nacional e internacional obtido com Aquele Querido Mês de Agosto (confesso, desde já, que não o vi!) Miguel Gomes parece subir mais um degrau no seu processo de afirmação na conjuntura cinematográfica nacional.

Só espero que não volte a repetir segmentos como aquele “Paraíso Perdido“! Bem sei que no final o dito até faz algum sentido mas terá sido das piores coisinhas que vi recentemente no cinema… e o resto do filme não o merece!

O cinema nacional está vivo e recomenda-se, mesmo deixando um travo amargo na garganta perante o potencial que a história (e a História) tinha!

 

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