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“Cosmopolis” de David Cronenberg


Antes de começar, apenas uma nota de rodapé!

“Conheço” Cronenberg há vários anos! Não foi agora, fruto da presença de Pattinson ou de Paulo Branco que arrisquei na cinematografia do realizador canadiano, nem tão pouco fruto do seu recente ensaio sobre Freud e Jung (A Dangerous Method) ou da sua cumplicidade com Viggo Mortensen!

Sou do tempo (e isto soa terrivelmente antiquado) de ver eXistenZ no cinema, de The Fly nos serões do canal público e, acima de tudo, de Spider, o qual assisti no peculiar Cinema Nun’Álvares, numa matiné de sexta-feira, onde era o único espectador na sala! Também já vi Crash – não confundir com o oscarizado filme de Paul Haggis!

Concluído o preâmbulo, senti-me desiludido por este Cosmopolis!
Todo o Universo de Cronenberg está lá bem espelhado. Os diálogos ambíguos, os cenários surreais e ligeiramente futuristas, a cadência irrepreenssível e a imprevisibilidade do próximo passo. Infelizmente o desenlace, ainda que politicamente grandioso, deixa bastante a desejar.

Pattinson passa no seu primeiro grande teste de fogo, mantendo a compostura e a credibilidade ao longo das quase 2h de filme. Apesar dos seus parcos 26 anos, o jovem actor inglês demonstra que o seu talento vai muito para além da sua fama de “destroça corações” (adolescentes).
A certa altura parece que Cronenberg surpreende o seu protagonista enviando ao seu encontro figuras cada vez mais bizarras e complexas mas Pattinson responde com total naturalidade e exactidão.

Referência para rol de secundários que interage com o protagonistas, lista onde encontramos nomes como Paul Giamatti, Juliette Binoche, Samantha MortonJay Baruchel ou Sarah Gadon. Pela diversidade dá para perceber que estamos perante uma amalgama intensa de feitios e origens que corresponde exactamente ao típico cinema de Cronenberg.

Durante 24h acompanhamos o dia-a-dia de um jovem multimilionário (Pattinson) enquanto este lida com uma eminente crise financeira, sentimental e existencial.
A bordo da sua ultra-revolucionária limousine (ou escritório ambulante), Eric vai sendo confrontado com o escalar do seu próprio desconforto, fruto das constantes novidades que lhe vão chegando do exterior, pela “mão” dos seus diferentes parceiros de viagem e pelas discussões que esta suscitam.
A vida de Eric dificilmente voltará a ser a mesma depois deste extravagante dia.

Deixei-me levar o suficiente para merecer outra atenção… mas, no final, apenas senti um intenso amargo de boca.

Baseado na obra de Don DeLillo, Cosmopolis vem rotulado como uma obra choque e crítica do mundo actual. Como filme, deixou a desejar… por muito que queiram vender dizer o contrário!

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