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“As Flores da Guerra (The Flowers of War)” de Yimou Zhang

A bicharada e os SEAL’s que nos desculpem mas temos de avançar… para a China!

No dia em que, rodeado de grande expectativa, chegava às salas nacionais o capítulo final da saga delineada por Christopher Nolan, o seu protagonista, Christian Bale, era figura central de um outro filme… memorável!

No original Jin líng shí san chai, esta obra chinesa chegou a estar nomeada para o Golden Globe de Melhor Filme Estrangeiro, tendo sido igualmente o indigitado chinês para o Oscar na mesma categoria.
No entanto, esse assomo inicial acabou por desvanecer-se rapidamente e o filme viu a sua estreia em Portugal intermitentemente adiada até “coincidir” com a chegada de The Dark Knight Rises.

The Flowers of War tem como pano de fundo o massacre de Nanking ocorrido em 1937, no qual os japoneses, durante a invasão dessa cidade chinesa, violaram e mataram centenas de mulheres e crianças, para além de terem dizimado por completo as tropas locais.
É neste momento trágico da histórica asiática que o “padre” John Miller (Bale), refugiado no convento de uma cidade em ruínas, assume a responsabilidade por um irreverente grupo de meninas orfãs e, igualmente, por um extrovertido grupo de mulheres… “da vida”!
Perante a instabilidade da situação pouco haverá a fazer para além de manter o espírito elevado e a perseverança intacta!

Mas o filme não se resume às peripécias dentro do convento. No exterior, num cenário de guerra e destruição, o retrato apresentado é igualmente doloroso!
Aqui reside, precisamente, a maior virtude do filme. O balanço entre ambientes tão distintos mas de igual modo tensos e imprevisíveis, mantém o espectador em constante sobressalto e confirma o talento de Yimou Zhang.

O realizador de Hero e House of Flyin Daggers não será de modo algum uma figura de renome internacionalmente e muito menos no nosso país, mas talvez já seja o tempo de lhe darmos o merecido relevo!
Mesmo apostando num estilo mais visual (e visceral) que pode, eventualmente, causar algum desconforto, o realizador chinês demonstra qualidades bem acima da média e prende o espectador durante a mais de 2h00 de filme!

Muito embora tudo o que ocorre à sua volta, é Christian Bale quem transmite ao filme a emoção que o transporta para outra dimensão. De regresso a terras asiáticas, 25 anos depois de Empire of the Sun, o actor norte-americano (entretanto galardoado com um Oscar por The Fighter) volta a demonstrar que estamos perante um dos grandes interpretes da actualidade!
Há no seu desempenho um misto de raiva, deboche, emoção e honra apenas ao alcance de poucos!

Último destaque para o igualmente admirável desempenho de Ni Ni, a mais influente das mulheres e para Xinyi Zhang que assume maior relevância no lado das meninas. Se de Bale já estaríamos à espera de algo deste nível, estas duas jovens actrizes chinesas revelam-se uma agradabilíssima surpresa!

Não será por demais mencionar que estamos perante a produção chinesa com o maior resultado de bilheteira da História no seu país de origem, não só pela sua temática – de elevada relevância para os chineses – mas certamente fruto da própria qualidade de um filme que merece, indiscutivelmente, ser visto!

Por cá, o Verão cinematográfico (de aventuras e diversão) talvez não seja a altura mais apropriada para assistir a um filme com esta intensidade. Por ventura, uma época mais fria e aconchegante tivesse funcionado bem mais em seu favor…

Muito provavelmente o melhor filme dos últimos meses!

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