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“A Dupla Pele do Diabo (The Devil’s Double)” de Lee Tamahori


E pensar que durante alguns largos meses confundia este The Devil’s Double com The Dictator… aquela preciosidade de Sacha Baron Cohen!

Não que estejamos perante uma obra qualitativamente assim tão distante da comédia que conquistou centenas de milhares de portugueses mas porque o registo é totalmente antagónico!

No centro deste retrato “baseado em factos verídicos” (ainda que muitos deles refutados) temos, precisamente, o filho do ditador, Uday Hussein, o tresloucado filho mais velho de Saddam Hussein.

Durante anos, Uday semeou o terror num Iraque instável e amedrontado por uma ditadura implacável.
No entanto, se muitas atrocidades foram cometidas em quase 25 de poder, só Uday, à sua conta, bastaria para justificar qualquer… invasão! E o filme não tem pudor, nem meias maneiras, em expor uma pequena parte do que aconteceu.

De qualquer forma, muito embora esteja centrado nele todo o enredo do filme, o nosso “narrador” é Latif Yahia, um militar iraquiano, participante na guerra Irão-Iraque (1980-1988), que afirma ter sido obrigado a (e torturado para) servir de duplo de Uday, durante vários anos! Apesar das muitas dúvidas levantadas, o argumento do filme é baseado nas novelas escritas pelo próprio Latif e quanto mais acreditamos nelas mais competente o filme se torna!

A dar corpo a ambas as personagens temos Dominic Cooper, num verdadeiro tour de force do jovem actor inglês. E por muito que o filme passe despercebido por muitos dos mercados onde estreou, quer pela sua temática, quer pela cirúrgica violência apresentada, este é daqueles desempenhos que pode mudar a carreira de um actor, começando dentro a própria indústria!

Quanto ao enredo não haverá muito mais a adiantar.
Acompanhamos o início, o meio… e o final da atribulada relação de Uday com o seu duplo (Latif), o homem que durante anos se fazia passar por ele em diferentes aparições públicas mas, também, o homem que afrontou (diz ele!) um dos mais lunáticos, tresloucados e desprezíveis seres humanos.

Está (muito) longe de ser o filme ao qual se leva a namorada num primeiro encontro mas, ainda assim, não se pode considerar tempo (totalmente) perdido. É que no final até podemos estar perante uma obra verdadeiramente reveladora!

E ainda dizem que a realidade – partindo do príncipio que é (quase) tudo real – não supera a ficção…?

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