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“A Gaiola Dourada (La Cage Dorée)” de Ruben Alves


Independemente de qual venha a ser o resultado de bilheteira, estamos perante o filme do MOMENTO, em Portugal.

Seja pela maciça campanha de promoção (a que estivemos humildemente aliados) que o acompanhou, com os seus intervenientes a desdobrarem-se em entrevistas, presenças e antestreias; seja pela autenticidade do retrato efetuado, tanto da emigração portuguesa (em França), como da nossa imagem por essa Europa fora; seja pela chegada ao nosso país de todos os nossos emigrantes (infelizmente um grupo novamente em crescimento!), La Cage Dorée estreia em Portugal no Momento certo!

O luso-francês Ruben Alves quis fazer uma homenagem aos país, emigrantes em França, com um filme que retrata ao detalhe a vida de muitos e muitos portugueses que fizeram do hexágono a sua “casa”. Para além de uma história genuína e de um elenco de qualidade, onde pontificam nomes como Joaquim de Almeida, Rita Blanco e Maria Vieira, para além dos luso-franceses Jaqueline Corado da Silva, Bárbara Cabrita e Jean Pierre Martins, o maior trunfo está mesmo na incrível verosimelhança dos pequenos detalhes.

O franco-português que serve de linguagem, as saudades de casa e da comida portuguesa, o amor ao fado e à camisola da seleção nacional, o hábito de trabalho e a “vergonha” de ser simples, o sonho e a sombria realidade, o bagaço, a sueca, o aprumo exagerado e o desleixo no dia-a-dia, a família, a vizinha, a educação e o orgulho, a dura realidade e o desconforto com os pequenos luxos.
É praticamente impossível alguém não ver aqui (pelo menos) um pouco do seu país, dos seus.

Maria e José (Blanco e Almeida) vivem em Paris há mais de 30 anos. Ela porteira, ele pedreiro, o trabalho é a sua vida e os patrões seus senhores. A sua pacata existência será irremediavelmente abalada quando José herda um quinta no Douro. Perante o “difícil” dilema de abandonar uma vida de dedicação ou usufruir dos mundanos benefícios de um vasto proprietário, o casal terá ainda de lidar com a reação de filhos, familiares, amigos e patrões.

Num tom leve, em jeito de comédia de costumes, o filme fala de uma comunidade portuguesa em França (ou noutro qualquer país da europa “central”) que ama a pátria e que sonha com o regresso a casa, mesmo que esse seja mais em forma de miragem do que de óasis.

Recheado de brilhantes momentos de humor será, no entanto, imprescindível ter a capacidade de rir de nós próprios e dos nossos, já que várias vezes, como diriam os Bee Gees (ou os Faith No Morela blague était sur moi… “the joke was on me“!

Mesmo alguns dias depois da antestreia, o destino ou “fado” de Maria e José, ainda me faz um pouco de confusão. Seria por ventura o Momento certo para dar a conhecer ao mundo – e, sobretudo, aos franceses – que os portugueses sabem e podem fazer muitas outras coisas…. fica para a sequela, d’accord Ruben?!

Ainda assim, La Cage Dorée será sempre um pouco de cada um de nós… e isso é incomparável!

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