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“Raptadas (Prisoners)” de Denis Villeneuve


O magnífico Incendies (nomeação ao Oscar® de Melhor Filme Estrangeiro em 2010) tornou Denis Villeneuve num nome a acompanhar. Uma história incrível, uma realização precisa e uma coragem invulgar, revelaram um filme surpreendente.

Repetida a dose, agora com um elenco mais apetecível, o resultado só podia ser este, Prisoners tornou-se num dos filmes sensação deste Outono!

Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal e Paul Dano formam um trio eletrizante que se movimenta de forma irrepreensível nesta trama criada por Villeneuve. O desaparecimento de 2 crianças é o mote para quase 2h30 de intensidade, suspense, dúvida, dor e perseverança. O único senão é que por volta da hora e meia já tinha “apanhado” a história (quase) toda. É a parte menos boa de ver tanto cinema…

Numa tarde de convívio familiar, a filha mais nova dos Dover, Keller (Jackman) e Grace (Maria Bello) e a mais nova dos Birch, Nancy (Viola Davis) e Franklin (Terrence Howard) desaparecem sem deixar rasto. A única pista, uma estranha caravana que esteva estacionada horas antes, na entrada da casa.
O detective Loki (Gyllenhaal) é o responsável pela investigação. Apesar do currículo imaculado, o jovem investigador parece totalmente aturdido pelos factos e mesmo com todos os indícios a apontar para o problemático Alex Jones (Dano), não há uma única prova contundente.
Até que o impensável acontece…

Independentemente da sorte (ou azar!) em desvendar as linhas mestras do enredo demasiado cedo, é inquestionável o clima de tenção e ansiedade criado pelo realizador canadiano. O crescendo de suspense atinge níveis inacreditáveis e acabamos totalmente paralisados face ao rumo dos acontecimentos. Podemos ter percebido onde tudo vai dar mas o caminho continua a ser altamente inquietante.

Mais interessante, e em linha com o que já tínhamos sentido em Incendies, há uma autenticidade nas emoções humanas e nas particularidades de cada personagem e cada situação que nos remetem invariavelmente para situações reais. Prisoners não é apenas um thriller ou um drama familiar é um ensaio sobre a condição humana, sobre um pai levado aos extremos, um detective desamparado e 3 (sim, três!) famílias que são postas à prova… da forma mais dolorosa possível.

Há uma ou outra falha que nos custou a engolir e uma ou outra personagem (Bob Taylor) que serve mais para complicar do que para esclarecer mas “a viagem” é realmente incrível!
De qualquer forma, grandes desempenhos de Jackman, (a valer uma nomeação aos Oscars®?), Gyllenhaal e Dano, uma realização categórica de Villeneuve e um hábil guião de Aaron Guzikowski, tornam-o numa das obras de referências deste Outono.

Em suma um filme eletrizante mas que infelizmente (para nós) não teve o impacto desejável – de certa forma fez-me lembrar o sucedido com The Prestige.

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  1. Teremos de esperar até 2014, mas "Prisoners" provavelmente será nomeado a alguns Oscars e será merecedor disso. Para mim o filme merece ser nomeado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Principal para Hugh Jackman, Melhor Ator Secundário para Jake Gyllenhaal e/ou Paul Dano e Melhor Atriz Secundária para Melissa Leo.
    O desempenho de Hugh Jackman em "Raptadas" é espantoso, o ator dá uma intensidade ao filme e é um dos seus trunfos… Também dou destaque aos brilhantes papéis de Jake Gyllenhaal, Paul Dano e Melissa Leo.

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