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“Parkland” de Peter Landesman


50 anos depois, ficamos a conhecer alguns dos detalhes mais humanos que marcaram o acontecimento mais traumático da história presidencial norte-americana.

Num início de tarde, os EUA perderam o seu Messias, o homem que prometia guiá-los para uma nova era, livre dos traumas e das desigualdades dos últimos anos e o fundador de uma nova América.
Os motivos, consequências e diversas Teorias da Conspiração que envolveram esse dia trágico foram já retratados – com requinte – por Oliver Stone em JFK, a obra de Peter Landesman é sobre as vidas que foram tocadas por esse acto.

Os médicos que receberam JFK em Parkland, o hospital onde o Presidente foi socorrido logo após o atentado, o humilde alfaiate que gravou tudo na sua câmara caseira e passou a ser o homem mais importante para o FBI e a impressa, os agentes secretos que tentavam perceber quem era Lee Harvey Oswald e as suas motivações, os familiares do atirador, totalmente apanhados de surpresa pelos acontecimentos e os assessores mais próximos da família Kennedy, totalmente esmagados pela imprevisibilidade da situação.

São estas algumas das pessoas afetadas (colateralmente) por um dos mais escrutinados assassinatos da História. Pese embora a importância nevrálgica do ocorrido e o reconhecimento dos envolvidos, houve, também, nomes mais desconhecidos que viveram aqueles dias de forma definitiva.

Se as personagens (mais ou menos verídicas) são na sua maioria anónimas, mesmo depois do que o que testemunhamos, os atores escolhidos acabam por dar a devida relevância a cada um deles. Zac Efron, Marcia Gay Harden, Paul Giamatti, Billy Bob Thorton, Jacki Weaver, Colin Hanks, Jackie Earle Haley, James Badge Dale, Ron Livingston, são alguns dos nomes mais, ou menos, conhecidos que dão vida a uma panóplia de pessoas reais.

Vamos saltando de história em história, reconfigurando (ou na maior parte das situações, ampliando) a imagem que temos do sucedido. Longe das Teorias, há algo de inquestionável. Ainda antes de influenciar a vida de milhões de pessoas, a morte de JFK marcou – pelas mais diferentes razões – um punhado de pessoas perfeitamente comuns.

Peter Landesman acaba por equilibrar muito bem a dinâmica do filme, alternando espaços e situações, num crescendo de emoção (e comoção) enquanto tentamos “esquecer” o clímax inicial. Apesar da sua pouca experiência atrás das câmaras, a sua realização demonstra uma maturidade apreciável, guiando-nos habilmente por entre a fragilidade dos acontecimentos.

Parkland não é um filme sobre o assassinato de JFK, é sim uma obra que relembra alguns dos muitos que viveram in loco um dos dias mais negros de um país e que mesmo sem quererem passaram a fazer parte da História.

Um filme importante para perceber não só um pouco melhor a História dos EUA mas, sobretudo, para compreender que há sempre um lado mais humano e abrangente em tudo o que acontece.

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