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“Nebraska” de Alexander Payne


Assim culmina mais uma temporada dos Oscars®

De todos os premiados e dos nomeados ao prémio máximo era o filme que faltava ver. É, curiosamente, a maior surpresa das nomeações… e uns dos responsáveis para alguns pesos pesados (casos de Tom Hanks, Joel e Ethan Coen ou August: Osage County) não figurarem entre os nomeados.

Alexander Payne, um dos grandes realizadores do circuito independente norte-americano (um nome já bastante reconhecido graças a About Schmidt, Sideways e The Descendants) é o responsável máximo – juntamente com Bruce Dern, o protagonista – pelo impato mediático de um filme que, à partida, teria (quase) tudo para passar incógnito.

Rodado a preto e branco, com um protagonista sexagenário e um orçamento bastante reduzido, Nebraska é um daqueles filmes de marca pela simplicidade, pela inteligência e pela coragem dos seus intervenientes.
Começa por ser uma pitoresca história em volta de um reformado sonhador, até chegar ao profundo ensaio sobre a condição humana e familiar… em linha do que sucedeu com August: Osage County.

Com a obra de John Wells este filme partilha, essencialmente, uma visão demasiado real (mas ao mesmo tempo caricatural) da dinâmica familiar dos nossos dias e um lado introspetivo e auto-crítico alarmante. Seremos na essência assim tão diferentes deles?

Após receber, pelo correio, um bilhete “premiado” o sexagenário e aluado Woody Grant (Dern) decide encetar viagem, a pé, até Lincoln, Nebraska. O problema é que para o fazer terá de atravessar 2 estados (South Dakota e Wyoming) e ninguém parece interessadon em “ajudá-lo…
Em resultado da insistência do pai e como forma de escape a uma vida em tumulto, David (Will Forte) opta por alinhar. De carro, obviamente(!), pai e filho embarcam nessa “aventura” – mesmo perante a perplexidade da família mais próxima – que os levará, primeiro, até Hawthorne, local onde Woody nasceu e crescer até se mudar com os filhos para o Montana.
Lá, junto de toda a família e dos amigos de outrora, tudo ficará ainda mais cinzento… antes de clarear.

Estupendo desempenho de Bruce Dern. Pareceria-me injusto deixá-lo de fora da lista dos nomeados – ainda que o fizesse, se tivesse a oportunidade – mas, de qualquer forma, fica um belo retrato do peso da idade e dos “sonhos” de um homem, pai, avô e irmão, verdadeiramente simples, direto e sincero. Há muita verdade por detrás de cada palavra e gesto.

Alexander deixa-nos novo registo de nível alto. Pode não ter o apelo comercial de outros nomes recentes do cinema norte-americano como David O. Russell ou Wes Anderson mas o realizador do Nebraska (naturalmente!) não lhes fica nada atrás.
Muito se fala da indústria de cinema norte-americana e da sua forte apetência/dependência para os blockbusters desnudos de emoção, coerência e vida mas, em terras do tio Sam há também uma leva de (novos) cineastas que tem vindo a deixar a sua forte marca na 7ª arte.

Quanto a Nebraska, é simpático, pitoresco e humano.
Em suma, merece a nossa atenção… e apreço.

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