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“Um Quente Agosto (August: Osage County)” de John Wells


Meryl Streep já não precisa de receber um Oscar® para ver avalizada a excelência dos seus desempenhos… só assim consigo perceber o porquê de não ter levado para casa mais uma estatueta dourada.

Baseado numa premiada peça de teatro, August: Osage County funciona muito bem na grande tela (mesmo percebendo-se a sua origem teatral) sobretudo pelo brilhantismo da performance de Melhor Atriz de Todos os Tempos.
É realmente fantástico poder comprovar in loco o cimentar de uma carreira a todos os níveis memorável. Violet Weston nunca “imaginou” vir a ser representada de forma tão eloquente. Odiamos, amamos, questionamos, compreendemos, sofremos e lutamos com Violet e a sua família.

Retrato corrosivo e sincero das conturbadas relações familiares de uma “típica” família norte-americana, o filme é um encadeamento imprevisível de revelações, surpresas e emoções. A cada momento de acalmia segue-se nova tempestade, num crescendo de intensidade e comoção. É impossível ficar indiferente, não tomar partidos, nem sofrer um pouco com todos eles.

Interior do estado de Oklahoma. Violet (Streep) e Charlie (Chris Cooper) aturam-se diariamente, como podem. Ela procurando refúgio nos anti-depressivos, ele na bebida.
Uma “inesperada” crise familiar obrigará a família a reunir-se em torno da sua matriarca. Barbara (Julia Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliette Lewis), as 3 filhas do casal, há muito perderam os laços fraternos entre elas e, especialmente, com a mãe.
A situação obrigará a que todas partilhem o mesmo tecto durante alguns dias… por pouco recomendado que seja.

Se Meryl merece os mais rasgados elogios, Julia Roberts faz, também, por isso. Durante a larga maioria do filme, Julia acompanha ‘taco a taco’ todo o virtuosismo da sua parceira, num despique eletrizante. Durante quase 2h as duas mulheres esgrimem argumentos, histórias, sentimentos e perspetivas bem distintas da vida familiar e das relações entre os seus. Se Meryl é mágica, Julia é um verdadeiro coelho saído da cartola.

As duas podem não ter agregado o mesmo tipo de comoção em torno dos seus desempenhos mas, este ano, não ficam atrás de ninguém.

Tracy Letts, autor da peça, é o responsável, também, pela sua adaptação para cinema. Pela amostra, pode muito bem dedicar-se à escrita (de argumentos para cinema). Nós agradecemos… e ficamos à espera de novidades, para breve!
John Wells depois de se ter estreado na realização com The Company Men, consegue subir ainda mais uns quantos furos na escala, aproximando-se “perigosamente” do topo. Um nome a registar, certamente.

Um filme que excede as expetativas, que surpreende ao “virar de cada esquina”, que nos dá muito que pensar.

Altamente recomendado!

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