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“A Viagem dos Cem Passos (The Hundred-Foot Journey)” de Lasse Hallström


Desde que se ‘mudou’ para os EUA, o sueco Lasse Hallström tem adocicado a vida dos apreciadores de cinema (mais ligeiro) assinando obras tão melosas como Safe Haven, Salmon Fishing in the Yemen, Dear John, Hachiko: A Dog’s Story, Casanova, Chocolat ou o estrondoso The Cider House Rules.

Desta vez a única diferença é o sal… e o caril, naturalmente.
The Hundred-Foot Journey, adaptação para a 7ª arte do premiado romance de Richard C. Morais, desenrola-se maioritariamente dentro da cozinha mas vai muito para lá dos tachos e das panelas.
Misturando culturas, condimentos e corações, a história leva-nos da Índia até ao sul de França, onde a cuisise française se verá confrontada pela irreverência de um jovem ‘chef’ indiano.

As semelhanças com The Best Exotic Marigold Hotel são evidentes, mais não seja pelo destaque dado à transcendente cultura indiana. Ainda assim esta Viagem acaba por ser bem mais terrena e saborosa.

Madame Mallory (Helen Mirren) é a dona de um restaurante de província – algures nos Alpes ou Pirenéus franceses, dependendo da fonte – galardoado com 1 Estrela Michelin. Sob a sua implacável liderança o Le Saule Pleureur tem mantido um nível incomparável na região… até que Hassan (Manish Dayal) e a sua família decidem abrir um restaurante indiano mesmo em frente.
Rapidamente o inevitável conflito entre dois espaços, conceitos e culturas tão díspares irá escalar muito para além da concorrência comercial porém, algures nessa rivalidade, uma profunda admiração (de parte a parte) irá revelar-se.

Gastronomia, paisagismo, cultura, sentimentos, The Hundred-Foot Journey é um daqueles filmes que nos enche as medidas. Sentimos água na boca, um encanto nos olhos, uma efervescência na memória e um calor diferente no coração. Não é nada de especial mas é muita coisa (boa) ao mesmo tempo.
Lasse continua, como mais ninguém, a saber comunicar pelos mais diferentes sentidos. Mais do que um filme, estamos perante uma viagem pelos 5 sentidos.

Mirren é magnífica como sempre – mesmo com aquele estranhíssimo sotaque francês. Igual relevo deve ser dado ao elenco indiano, com Dayal e o veterano Om Puri em maior destaque. Uma mistura estranha mas que funciona em pleno.

Referência final para a banda-sonora de A.R. Rahman. Talvez se lembrem dele de Slumdog Millionaire. E, mais uma vez, captou com precisão o espírito indiano, dando uma naturalidade e leveza certeiras ao filme.

Vale bem a Viagem o bilhete!

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