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“Lixo (Trash)” de Stephen Daldry


Há uma série de improbabilidades – um realizador britânico, uma lixeira (do Rio de Janeiro), dois dos mais badalados atores brasileiros da sua geração, o mais reconhecido argumentista neozelandês, dois atores norte-americanos, um trio de moleques que assumem total protagonismo – tornam este Trash num filme difícil de promover e numa obra totalmente surpreendente!

Somos encaminhados para um enredo envolvente que nos coloca praticamente na pele dos três miúdos. À medida que eles vão desvendando a estranha trama da qual acabam “reféns”, nós vamos juntando as peças até tudo fazer (bem mais) sentido.

Stephen Daldry tem uma carreira impressionante graças a obras como The Reader, The Hours ou Extremely Loud & Incredibly Close mas se recuarmos um pouco mais, chegamos à sua obra de estreia, Billy Elliot. Um filme nos antípodas deste Trash mas que demonstra a habilidade do realizador inglês em trabalhar com miúdos.

Rickson Tevez, Eduardo Luís e Gabriel Weinstein assumem pleno protagonismo, apesar da tenra idade. Rodeados de estrelas nacionais e internacionais (tanto em frente, como atrás das câmaras), os 3  meninos tornam-se no epicentro de uma intensa intriga policial e política que demonstra os podres mas, também, o lado mais genuíno e bondoso de um povo caloroso.

Raphael (Tevez) e Gardo (Luís) trabalham num lixeira, catando e separando o que os outros jogam no lixo. Nesse vasto aglomerado de barracas, lixo, extrema necessidade, camaradagem e muita malandragem, os 2 miúdos vão encontrar uma carteira (recheada)… que promete guardar segredos perigosos. A sua astúcia, audácia e curiosidade fará com que eles escondam o conteúdo da mesma, mesmo quando um enigmática polícia (Selton Mello) vem até ao lixeiro procurar por ela.
Juntamente com Rato (Weinstein), eles irão procurar o significado das pistas que vão encontrando, mesmo que para isso tenham de colocar a vida literalmente em risco!

Muito bom o argumento de Richard Curtis na adaptação da obra literária de Andy Mulligan. Capaz de momentos bem ligeiros, alguns contundentes e, acima de tudo, de construir uma narrativa em crescendo que nos vai “abrindo os olhos” a cada passo. Precioso, igualmente, o retrato sincero e fiel d(e um)a realidade brasileira que nem todos têm a oportunidade de conhecer.

Cinema de qualidade, não temos dúvidas, que para mais demonstra a verdadeira globalização do cinema atual. E há muito talento por ali para (re)descobrir!

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