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“O Jogo da Imitação (The Imitation Game)” de Morten Tyldum


Há duas considerações imediatas ao ver The Imitation Game.
A primeira é que o inglês Benedict Cumberbatch é um “ator de mão cheia”.
A segunda é que por mais escrutinada que a II Guerra Mundial esteja, permanecem ocultos factos transcendentes que prometem continuar a surpreender-nos mais de 70 depois da sua ocorrência.

Era já do conhecimento comum que um dos momentos que marcou a mudança de rumo na II Guerra Mundial, estava relacionado com uma pequena caixinha (ou milhares) que permitia às tropas alemães comunicar entre si de forma indecifrável, durante esses fatídicos anos.
Enigma era o nome de batismo de um dos mais engenhosos inventos da primeira metade do século XX. A sua descoberta e posterior descodificação pelos aliados, revelou-se peça fundamental no desenlace da Guerra. Permaneceu, até agora, envolto em segredo (de Estado) como tudo se desenrolou.

Um grupo de brilhantes académicos, as mais altas patentes do exército, uma máquina indecifrável e as bases para o que viria a ser a maior revolução da humanidade desde a máquina a vapor.
No epicentro desta improvável reunião de talentos e interesses, Alan Turing, uma mente excepcional, protegida por uma personalidade difícil, anti-social e irascível. Conhecido hoje como o pai da computação, o renomeado criptógrafo não terá acumulado muitas amizades ao longo da vida mas o seu legado é indiscutível.

Voltamos a Inglaterra, início dos anos 40. Os bombardeamentos alemães ameaçam destruir Londres e concluir a conquista da Europa ocidental por parte das forças nazis. .
Algures no noroeste de Londres (a meio caminho entre Oxford e Cambridge), mais propriamente em Bletchley Park, reside o Centro de Pesquisa Criptográfico inglês. Dezenas de homens e mulheres tentam diariamente descodificar o avançado sistema de comunicação alemão. Entre eles Alan Turing (Cumberbatch), Hugh Alexander (Matthew Goode) e Joan Clarke (Keira Knightley). Durante muitos meses de avanços e recuos, Enigma permanece no centro de todas as atenções. Até que…

Os filmes de Guerra (especialmente da II Guerra Mundial) sempre me fascinaram. Desde os documentários históricos até à mais trivial das ocorrências, é um tempo (maldito) que não deixa de me seduzir e cativar… como se houvesse algo de perversamente certo em perceber de onde vimos e para onde não devemos ir!

Mesmo estes episódios de bastidores, então um com esta relevância histórica, são absorvidos com a máxima atenção (ou devoção, devo dizer). The Imitation Game pode ter as suas lacunas históricas, até as suas incongruências mas há factos inquestionáveis que mesmo a dramatização de uma história verídica jamais irão chamuscar.

Morten Tyldum pode não ser um nome conhecido do grande público mas não será por muito mais tempo. O realizador norueguês é, de facto, brilhante, na forma como vai gerindo a tenção ao longo do filme e como vai direcionando (toda) a nossa atenção.
Quanto a Benedict não há muito mais a acrescentar.  O ator londrino conquistou o mundo em 2-3 anos. Não terá sido por mero acaso.

Um filme revelador que mesmo para lá da grandiosidade dos factos de Guerra revelados, consegue ir ainda mais além contando, também, a história de um homem distinto.

Muito provavelmente, o filme mais completo e equilibrado de entre os que estão nomeados aos diferentes prémios deste ano.

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