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“Sniper Americano (American Sniper)” de Clint Eastwood

Durante longos segundos que se prolongaram bem para lá do epílogo final, o mais profundo silêncio ecoou na sala de cinema. Apesar de repleta, foi com invulgar recatez que, um por um, os espetadores abandonaram os seus lugares.

A frase pode estar um pouco mais pomposa do que o habitual mas foi exatamente assim, no final da antestreia de American Sniper no Porto, no passado dia 21 de janeiro.

Clint Eastwood (ou tio Clint, como carinhosamente gostamos de nos referir ao cineasta norte-americano aqui no Doces ou Salgadas?) está longe de ser perfeito – volta e meia lá faz um Jersey Boys, para nos lembrar disso – mas na última dúzia de anos ninguém fez filmes como ele (nem mesmo Steven Spielberg!).
Mystic River, Million Dolar Baby, Letters from Iwo Jima, Gran Torino,… American Sniper.

É mesmo incrível como aos 82 anos Clint continua a presentear-nos com obras de grandíssima qualidade. American Sniper não é um filme fácil, longe disso. Retrata uma América distante dos padrões normais de Hollywood, uma América dura, bélica, parcial e patriótica (mas daquele patriotismo em que os fins justificam SEMPRE os meios), uma América que continua a idolatrar cowboys, pistoleiros, militares e uma justiça a qualquer preço.

Chris Kyle (Bradley Cooper) é o rosto (e a “espada”) dessa sede de justiça. Um homem simples, humilde e de pontaria certeira. Militar das forças especiais da marinha norte-americana (os Navy SEALS), Chris tornou-se no mais reconhecido e letal Sniper norte-americano, acumulando tiros certeiros a um ritmo inigualável.
Era também um homem de familiar. Marido, pai de duas crianças, irmão e amigo dos seus. Alguém que sentia o dever de defender o seu país, independentemente da lucidez das ordens recebidas dos seus superiores. Mais do que sentir remorsos pelas mortes que somava, o seu trauma residia nos parceiros que não conseguia salvar.
Kyle era um pistoleiro dos tempos modernos. Um xerife implacável ao serviço do exército norte-americano.

Clint nunca escondeu as suas convicções políticas e, duvidas houvesse, demonstra-o como nunca neste filme. O seu (super-)herói é um Homem superior, um ser altruísta, direcionado, motivado e convicto. Mas como todos nós, tem, também, as suas fraquezas, os seus defeitos, a sua kryptonite. Os seus métodos podiam não ser os mais convencionais mas no mundo (ir)real onde a separação entre bons e maus é bem visível, ele é exímio. Também o é Bradley Cooper.
O ator de Philadelphia vai continuar a faturar bastante com filmes mais ligeiros, como galã, como entertainer, como herói. Hollywood está rendida à sua imagem e à sua capacidade de atrair público (e dinheiro), o que torna as suas 3 nomeações consecutivas aos Oscar®’s (Silver Linings Playbook, American Hustle e American Sniper) um facto de ainda maior relevo. Juntar os dois mundos não está ao alcance de muitos.

Mas voltemos a Clint Eastwood e o seu brilhante trabalho de realização. A intensidade dramática é uma das marcas da sua obra e American Sniper não é exceção. Ficamos agarrados à cadeira de início ao fim. Queremos perceber o que se seguirá mas para o conseguir temos de viver e sofrer com as personagens, temos de julgar nós mesmos os seus atos, de refletir sobre cada uma das suas decisões. Estamos de facto lá, para o bem e para o mal.

Sim, foram longos segundos de silêncio. Podiam não querer dizer nada. Não foi o caso.

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