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“Um Ponto de Viragem (You’re Not You)” de George C. Wolfe


Há um ano atrás teria enchido as salas de cinema de todo o mundo, este Verão já ninguém quer saber da ALS ou Esclerose Lateral Amiotrófica…
…pelo menos em termos cinematográficos.

The Ice Bucket Challenge colocou esta rara e implacável doença degenerativa nas bocas do mundo, exponenciou o seu impacto social e fez mas em alguns meses do que qualquer estratégia de comunicação. Infelizmente, o seu alcance mediático desvaneceu-se tão depressa como surgiu, ao ponto de um filme com qualidade, com desempenhos relevantes e com uma história emocional ter passado quase despercebido pelas nossas salas de cinema.

Há já alguns meses que andávamos a controlar o percurso do filme. Hilary Swank, Josh Duhamel e Emmy Rossum davam garantias de comprometimento e o trailer deixava antever coisas boas. Quando finalmente chegou a Portugal, sem qualquer popa ou circunstância, marcamos presença, não só pelo filme em si mas pelo que representa, pela mensagem, pela importância de não deixar esquecida a necessidade de continuar a apoiar os lutadores reféns desta doença e prosseguir com a investigação científica em torno da mesma.

Não há grandes surpresas face às nossas expetativas. You’re Not You – que no nosso país assume o estranho título de Um Ponto de Viragem – mete o dedo na ferida mas fá-lo com o tom mais amável possível, revelando que mesmo nas situações mais extremas há SEMPRE alguém que nos pode surpreender.

Perante a atrocidade de uma patologia implacável que lhe retira aos poucos qualquer tipo de independência, uma jovem mulher outrora pianista (Swank), deposita inexplicavelmente toda a sua confiança numa jovem irreverente (Rossum) e aparentemente pouco recomendável para a situação. Há medida que a doença evolui, o carácter de todos os que lhe são próximos vai-se revelando, restante a Kate o apoio e o conforto daqueles que há bem pouco tempo não eram mais do que perfeitos estranhos.

Pese embora o sempre elevado nível de qualidade de Hilary Swank, a grande revelação do filme acaba por ser mesmo Emmy Rossum. A atriz nova-iorquina surgiu muito cedo na 7ª arte, ainda antes de completar 20 anos, mas a sua carreira nunca se consolidou verdadeiramente. A TV e a série Shameless (No Limite, em Portugal) tem sido o seu resguardo, mas com desempenhos destes parece mais do que pronta para regressar, em grande, ao cinema!

Acredito piamente que há uma dose inacreditável de veracidade em muitas das situações retratadas. Pese embora a necessária melodramatização dos acontecimentos, George C. Wolfe (Nights in Rodanthe) – que assina aqui apenas a sua segunda longa-metragem – consegue construir um enredo coerente, sincero e, naturalmente, emotivo.

É impossível não deixar a emoção correr-nos nas veias, pelo que os(as) mais sensíveis são aconselhados a fazer-se acompanhar dos sempre práticos lenços de papel. Não vá uma poeirinha cair-nos no canto do olho.

Ainda em exibição nos cinemas UCI do Porto e Lisboa.

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