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“As Sufragistas (Suffragette)” de Sarah Gavron


Há histórias da História que ainda (me) fazem muita confusão.

O direito de voto das mulheres – facto dado como adquirido e banal pela larga maioria de nós – não é uma realidade há assim tanto tempo quanto isso. Cem anos separam-nos do movimento feminino (não confundir com feminista) que motivou a derrocada desse paradigma universal da sociedade oitocentista.

Começou em Londres o movimento Sufragista. Estendeu-se por mais de uma década. Esta é a história (mais ou menos verídica) de um grupo de mulheres que sacrificou o seu bem-estar, a sua família e a sua própria existência em prol de um futuro mais justo, mais livre, mais normal!

Apesar da presença de Meryl Streep, a cabeça-de-cartaz do filme é a jovem Carey Mulligan no papel de uma jovem simples e pacata que se viu no epicentro de uma das mais relevantes revoluções sociais do século XX. Filha, Esposa, Mãe (e mulher), Maud Watts trabalhou a vida inteira numa lavandaria. Desde tenra idade – 7 anos – o seu dia-a-dia é passado ao serviço de um patrão pouco recomendável, a troco de um salário modesto.
Ainda assim, será (quase) um acaso e a imensa determinação de mulheres como Edith Ellyn (Helena Bonham Carter) ou Violet Miller (Anne-Marie Duff) a convencê-la que a dada altura da vida é necessário assumir uma posição.

Eram outros tempos. Por entre um punhado de mentes abertas e coerentes, populava uma larga maioria avessa a qualquer mudança ou revolução. E quando os argumentos (de parte a parte) se tornaram recorrentes, nada mais restou do que assumir uma nova estratégia… bem mais viril e mediática (de parte a parte).

É um filme intenso, doloroso a momentos, pela acutilância com que retrata momentos e vidas reais, mesmo que de forma ficcionada. Bons desempenhos, surpreendendo especialmente Bonham Carter pela seriedade (pouco habitual) e competência demonstrada. Já Streep, apesar de encantadora como sempre, marca presença bem mais pelo simbolismo histórico de encarnar a grande referência do movimento feminino do início do séc. XX, Emmeline Pankhurst, do que pela sua relevância para o filme per si. De qualquer forma, um encanto.

Pese embora algumas lacunas narrativas, especialmente no que ao desenlace diz respeito, poderia muito bem tornar-se numa obra obrigatória nas escolas de todo o mundo. Cada vez mais, damos por adquiridas demasiadas coisas, tão elementares como a liberdade, a igualdade (de direitos e deveres) e a responsabilidade. Cabe à geração atual não deixar que as próximas “esqueçam” o percurso percorrido!

Bem mais do que um filme.
Um retrato fundamental da sociedade moderna.

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