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“Anamolisa” de Charlie Kaufman e Duke Johnson


Para nós, uma das desilusões da temporada.

Kaufman já nos habituou a grandes maluqueira como argumentista – casos de Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Adaptation ou Being John Malkovich – mas desta vez passou-nos completamente ao lado… o objetivo desta sua incursão pelo cinema de animação e mais concretamente pelo stop-motion (vulgo plasticina!).

Já a sua estreia como realizador, no complexo Synecdoche, New York, não tinha sido a mais consensual, mas com este Anomalisa temos de nos demarcar (infelizmente) da imensa legião de fãs.

A obra, justiça seja feita, é uma das nomeadas ao Oscar® de Melhor Filme de Animação e será até, ao que tudo indica, o único com estaleca para não permitir a festa antecipada de Inside Out. Ainda assim, e mesmo respeitando o seu “currículo”, não conseguimos partilhar (minimamente) do entusiasmo em seu redor.

Nem chega a ser a questão moral em torno das ações das personagens – muitas vezes questionáveis sobretudo pela normalidade com que são apresentadas -, nem pelo estilo minimalista que o filme preconiza – mais não seja porque a forma, invariavelmente, é bem menos relevante que a substância -, nem pelo surrealismo tão típico dos argumentos de Kaufman – o qual, devidamente enquadrado, é delicioso -, o problema estará mesmo na ausência de conteúdo.

Ao fim de quase 1h30 de filme, saímos da sala sem qualquer ideia do que nos aconteceu. Sem o mínimo de reação à “expêriencia” a que fomos submetidos, a indiferença será o único sentimento que nos resta.

Um homem a atravessar uma crise de meia idade (será mesmo isso??) chega a Pittsburgh para uma conferência onde será um dos principais oradores. Porém, a viagem é, também, um regresso a uma cidade onde anos antes Michael Stone uma das relações amorosas da sua vida. Insatisfeito, stressado, inconformado, o famoso escritor acabará por encontrar alguém que dará um novo rumo à sua vida… mesmo que por meros minutos.

A dada altura, na procura de algo substancial a que me agarrar, dei por mim a comparar Anomalisa a um qualquer episódio dos Simpsons pelo tom sarcástico e quase psicótico que adota, nomeadamente na cena da cave do hotel. E nem assim lhe achei grande piada.

Por estes dias, há muitos e bons filmes para ver no cinema.
Mesmo respeitando a opinião de (muitos) outros não consigo enquadrar Anomalisa nesse grupo.

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