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“O Caso Spotligh (Spotlight)” de Tom McCarthy


Parece ser a principal tendência da temporada dos prémios este ano. Realizadores conotados com a comédia mais tradicional norte-americana (lindo eufemismo) a darem nas vistas com cinema sério, verdadeiro e aterrador.

Primeiro Adam McKay, agora Tom McCarthy. Ainda que neste segundo caso, a comédia, The Cobbler, tenha sido bem mais de um acidente de percurso do que de uma regra, já que o realizador natural de New Jersey tem no currículo outro padrão de filmes, como The Visitor ou The Station Agent.

Tal como acontecia com The Big Short, todos nós já conhecíamos, traços gerais, os acontecimentos retratados mas o escrutínio, a tensão, os antecedentes e a humanização dos factos tornam-nos, simplesmente, aterradores.

Nesse sentido, primoroso o trabalho de Tom McCarthy e de todo o elenco, com maior destaque para Mark Ruffalo e Michael Keaton. Máxima competência, total empenho e muito, mas muito, talento e não apenas dos protagonistas ou dos nomes mais sonantes.
Ainda assim, a cereja no topo do bolo é mesmo o argumento de Josh Singer e, do próprio, Tom McCarthy. Preciso, duro, eletrizante e surpreendente, o enredo prende de início ao fim. Desconfortável, revelador e imparcial q.b., é material cinco seis estrelas, certamente!

No início do novo milénio, uma equipa de jornalismo de investigação do Boston Globe, conhecida como Spotlight, depara-se com um caso de pedofilia perpetuado por um padre local. Instigada pelo novo diretor geral do jornal (Liev Schreiber), a equipa liderada por ‘Robby’ Robinson (Keaton) inicia a mais reveladora investigação alguma vez feita em torno da Igreja Católica, com consequências inimagináveis para toda a instituição.

Tal como o jornalismo, também o cinema é uma arma, uma expressão de liberdade, de justiça e de igualdade. Para mais quando tudo é feito com extrema qualidade. Pode não ser espetacular, visualmente deslumbrante ou um exemplo ímpar de técnica (cinematográfica) ou originalidade mas é… tudo o resto!

É impossível não sair da sala de cinema aterrorizado com a História retratada. Durante 2h vamos juntando as peças, julgando os factos, incrédulos, assustados mas esperançosos na justiça, na coragem e na capacidade de sobrevivência dos envolvidos. Por mais desconfortável que a história e o filme sejam, devemos ficar gratos pela sua existência. O cinema (também) é ação, emoção e devoção.

Porque há filmes obrigatórios!
Um Clássico.

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