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“Irmãos e Espiões (The Brothers Grimsby)” de Louis Leterrier


Não fosse a brejeirice e estaríamos perante uma comédia de assaz qualidade. O problema é que a brejeirice ocupa mais de metade do filme…

Sacha Baron Cohen, mais conhecido entre os amigos como Borat ou Ali G, será, por ventura, um dos mais talentosos atores de comédia do velho continente. Mas o seu talento é do mesmo tamanho da… descomunal pancada que tem, uma espécie de comportamento obsessivo-compulsivo em relação ao humor escatológico, sexual e politicamente incorreto. A sua imagem de marca é, igualmente, o seu principal tendão de Aquiles. Não há bela sem senão.

Resta-nos Hugo, Sweeney Todd ou Les Misérables para nos lembrarmos que há ali muito engenho para lá da “embalagem”!

Ao lado de Cohen, nada mais improvável do que Mark Strong. O super-vilão do cinema de ação britânico e um dos durões ao serviço de Sua Majestade, entrega o corpo ao manifesto acompanhando o humorista em (quase) todas as suas idiotices. Arrastado pelo furacão Cohen, Strong tenta manter-se à tona mas é sol de pouca dura, porque NADA nem NINGUÉM consegue acompanhar o ritmo de Nobby.

O conceito de aliar o cinema de ação a uma comédia para corriqueira até que tem os seus benefícios, aligeirando a temática e dando um pouco de consistência ao enredo, mas quando a cada esquina há um… Borat(!) o resultado é totalmente imprevisível.

Separados na infância, Nobby (Cohen) e Sebastian (Strong) crescerem em mundos totalmente distintos. A viver num meio sofisticado e exigente Sebastian tornou-se num dos mais implacáveis espiões britânicos enquanto Nobby é “apenas” especialista em fazer asneiras. Hooligan, pai de 11 filhos e humildemente ignorante, o irmão mais velho nunca saiu do seu bairro nos arredores de Londres na esperança que o seu irmão, um dia, regressasse. Até que, 28 anos depois, Nobby reencontra o seu irmão, exatamente a meio de uma (suposta) missão ultra-secreta que, naturalmente, irá correr para o torto.
Juntos, os irmãos Grimsby, tornar-se-ão na mais improvável e letal dupla de super-espiões morcões! E com orgulho!

Por cada momento hilariante temos uns dois ou três totalmente desnecessários e exagerados. Não escondo que aqui e ali soltei uma boa gargalhada que se seguiu (e foi antecedida) de um desconfortável e destemperado momento de repulsa e medo – qual Inside Out!

Louis Leterrier, cujo último filme, Now You See Me, lhe tinha garantido um certo estatuto no cinema (mais) comercial, terá perdido grande parte da sua “margem de manobra”, deixando-o sob apertado escrutínio da Indústria para o seu próximo projeto.
Cohen prossegue o seu percurso… de auto-destruição. No fundo fico com pena porque, percebe-se facilmente nas entrelinhas, tem talento para muito mais… e, sobretudo, melhor!

Porquê contentar-se com o razoável, quando se pode ser (muito) bom??
Fica a questão.

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