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“Quarto (Room)” de Lenny Abrahamson


Infelizmente não nos foi possível partilhar o comentário antes da cerimónia da Academia. Não que isso fizesse alguma diferença.

Já era nossa convição que Brie Larson juntasse o Oscar ao Golden Globe, Bafta, SAG e Independent Spirit Award. O que acabou por se confirmar. Curiosamente, por impressionante que o seu desempenho tenha sido, quer-nos parecer que não seria motivo para tamanha unanimidade.

São 3 os protagonistas deste filme, a merecer idêntico destaque.
Naturalmente Brie pelo seu desempenho visceral, provavelmente mais intenso e doloroso do que o do próprio Di Caprio, mas ao mesmo tempo contido, introspetivo, subtil.
Em segundo, o fabuloso Jacob Tremblay que antes de completar 10 anos terá, muito provavelmente atingido o pico da sua carreira cinematográfica. Pode parecer inusitado o comentário anterior mas se tivermos em conta, por exemplo, o que se escreveu e se disse na altura sobre nomes como Joel Haley Osment (The Sixth Sense) ou Macaulay Culkin (Home Alone) e o estado atual das respetivas vias/carreiras, talvez não seja assim tão disparatado quanto isso.
Finalmente o Quarto. Espaço claustrofóbico, exíguo e tenebroso mas igualmente mágico, idílico e aconchegante. Será por isso que Lenny Abrahamson bateu alguns “pesos pesados” da realização na nomeação ao Oscar®. Totalmente justo.

Será, portanto, a dividir por 3 o mérito de um filme singelo mas emocionalmente extenuante. De tão rebuscado e lunático(??) o conceito primordial do argumento pode até tonar indiferentes os mais racionais e/ou distantes, para os restantes pouco mais resta do que partilhar a dor e apreciar a (7ª) arte.

Há algo (ou muito!) de impensável no filme. Apesar de relativamente simples, o ponto de partida do filme é totalmente arrebatador. E se Jack (Tremblay) nos leva a crer que não há nada assim de tão desumano “no Quarto”, o contacto com a realidade é cirurgicamente preciso e emocionalmente devastador.

Durante 5 anos, Ma (Larson) deu a conhecer ao seu filho – nascido no cativeiro em que ela está confinada desde os 17 anos – que “o Mundo” se resumia ao Quarto onde eles sobrevivem dia após dia. Das pequenas alegrias e dramas do quotidiano é feita a “vida” de mãe e filho até que a oportunidade se lhes depara… mas estará Jack preparado para a realidade?

Emocionalmente o filme é arrebatador, ao ponto de sentirmos um inegável aperto no peito nas horas de maior tensão e surpresa. Já do ponto de vista racional, Room deixa algo a desejar. É verdade que o filme é primoroso no retrato que explora e sobretudo na carga emocional que transporta mas fica sempre a ideia que podia ser um pouco mais do que um ótimo filme independente.

O pai que entra e sai de cena sem grande critério. Que desperdício a presença de William H. Macy.
A mãe, Joan Allen, que parece ter sempre algo mais para dizer e/ou explicar. A própria Brie que guarda muito do que teria para contar. Jack que sozinho teria “material” suficiente para uma minissérie. Talvez esteja a ser demasiado rigoroso… mas é da época do ano.

E assim culminamos os comentários a uma das mais profícuas temporadas dos prémios. São muitos, bons e variados, os filmes que nos chegam às salas de cinema (especialmente nos últimos 2 meses) e que desmistificam, semana após semana, a ideia gasta que “já não se fazem filmes como de antes”.

Com tanto por onde escolher, não será difícil encontrar pelo menos 1 que vos agrade.
E, porque não, começar já por este magnífico Room.

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