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“Os 33 (Los 33)” de Patricia Riggen


Uma História memorável.
Já o filme, deixa algo a desejar.

A história dos 33 mineiros chilenos resgatados do coração de uma montanha, 69 dias depois da derrocada que os manteve presos e às portas da morte, é de conhecimento quase generalizado. Já as particularidades, as privações, as pequenas conquistas e intercalações apenas agora, se tornaram públicas.

Muito aconteceu durante os mais de 2 meses. No interior da mina e à superfície os ânimos estiveram, naturalmente, efervescentes. Pequenas conquistas e grandes privações foram vividas com uma intensidade indescritível e só mesmo quem lá esteve poderá (tentar) descrevê-las… especialmente as ocorridas a 700 metros de profundidade!

Em defesa de Patricia Riggen pode-se sempre argumentar que não é fácil condensar em 90 minutos, 69 dias tão intensamente vividos. Porém, a questão nem é tanto a falta de vibração – essa está bem presente em grande parte do filme – é mais, a extrema dificuldade em demonstrar a passagem do tempo, o crescendo de ansiedade e de emoção e a natural falta de discernimento que obrigatoriamente assolou a generalidade dos “prisioneiros”.

Ao tentar contar a “história toda” perdeu-se a oportunidade de aprofundar o que realmente é do desconhecimento geral, ou seja, como foi possível sobreviver durante mais de dois meses debaixo de 700 metros de terra e pedra, num espaço exíguo e com 32 outros parceiros.

Ainda assim, independentemente da qualidade da realização, do argumento ou do desempenho dos protagonistas – mesmo Banderas parece um pouco deslocado – é inquestionável o impacto emocional do filme, a pertinência da sua existência e a sensação de alívio que é vê-lo. Porque há, de facto, histórias que merecem chegar à 7ª arte!

Acompanhamos os mineiros, acompanhamos os seus familiares que reclamam por informações, acompanhamos o governo e a sua luta para encontrar uma solução, acompanhamos os esforços para encontrar e socorrer os 33 homens aprisionados no interior da mina e acompanhamos algumas histórias paralelas, umas totalmente cinematográficas e outras mais ou menos reais.

Durante 2 horas vamo-nos envolvendo com uma história aliciante, descobrindo alguns detalhes preponderantes e dispersando a atenção em fait divers pouco relevantes. Espremido, espremido temos um filme interessante que, contudo, se assemelha desnecessariamente com um bom documentário

Fica a ideia que havia potencial para muito mais… do que uma mera “revisão da matéria dada”.

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