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“Demolição (Demolition)” de Jean-Marc Vallée


Jean-Marc Vallée.
Muitos reconheceram o Dallas Buyers Club de Matthew McConaughey.
Poucos terão acompanhado a odisseia de Resse Witherspoon em Wild.
Chega, agora, a vez de Jake Gyllenhaal e o seu processo de autodestruição.

O realizador canadiano começa a construir uma imagem e uma carreira primorosas, focando a suas obras em figuras peculiares mas magnânimas que congregam atenções, emoções e desejos.
Curiosamente, Davis Mitchell (Gyllenhaal) é o primeiro dos seus protagonistas – incluindo nesta listagem a Rainha Victoria de Emily Blunt – que não é baseado numa personagem verídica. Isso não implica que seja menos credível… ou menos desequilibrada que as anteriores.

O luto é algo profundamente pessoal e inimaginável. Cada um reagirá, à sua maneira, da forma mais subjetiva e imprevisível quando confrontado com situação semelhante, para mais quando se trata de alguém tão próximo como um conjugue. E depois há aqueles cujo comportamento é totalmente off the charts!

Davis parece viver totalmente desligado da realidade, submerso num estado de aparente apatia emocional e relacional. A sua esposa acabou de falecer após um acidente de viação mas para além da reclamação à empresa de vending (daqueles máquinas de comida automáticas), o seu quotidiano é mais ou menos o mesmo. Pelo menos até conhecer Karen Moreno (Noami Watts) e o seu filho Chris (Judah Lewis).

Um homem consegue “fugir” às emoções mas só até certo ponto. O processo de desconstrução de um ser humano pode assumir as mais diferentes formas mas não há dúvida que destruir a própria casa com uma retro-escavadora deve ser das mais extravasantes.

Porém, Demolition não é apenas um filme de destruição – ou ‘Demolição’ – é, sobretudo, um ensaio bastante introspetivo sobre a natureza humana. Do mais puro dos sentimentos e das emoções, até ao mais básico dos comportamentos, por entre humor (negro), drama, romance, psiquiatria e um imenso protagonista, a viagem é realmente assustadora.

O único senão – pelo menos foi essa a sensação que fiquei imediatamente depois de sair da sala – é a desnecessidade em alastrar a história para temáticas que pouco ou nada acrescentam ao enredo central. Curiosamente, nos seus filmes anteriores, Jean-Marc segue precisamente esse princípio. Quenn Victoria, Ron Woodroof, Cheryl Strayed. Davis Mitchell. E com successo.

Há tanto por onde seguir, há tanto para desconstruir que bastava Davis e o seu luto para nos prender à tela. Less is more… certo?

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