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“Estado Livre de Jones (Free State of Jones)” de Gary Ross


Chegou a ter rótulo de oscarizável, mesmo com uma estreia veraneante, mas o novo filme de Gary Ross (The Hunger Games, Seabiscuit) acaba por tentar dar um passo (ou vários!) maior do que as pernas…

Matthew McConaughey confirma que o Oscar de Melhor Ator (por Dallas Buyers Club) está longe de ser um mero “acidente de percurso” mas, sim, a consequência natural de um ator de imenso talento. O seu Newton Knight é a mais recente prova disso mesmo, sempre em altíssimo nível e senhor de uma diversidade de situações e emoções de alta qualidade.

O senão do filme resulta, então, da desmesurada ambição em querer contar demasiadas histórias através de um homem apenas… e em meras 2h20 de filme. Glory, 12 Years a Slave, Mississippi Burning, Lincoln… todos condensados num filme apenas, sem naturalmente, o devido tratamento que cada uma das temáticas merece.

A História de vida deste temeroso fazendeiro do Mississippi é, de facto, incrível mas daria uma mini-série de imenso sucesso e discussão sócio-política ainda nos dias de hoje. Retrato do muito que ainda são hoje os Estados Unidos na América, Newt era um homem invulgar, num período excecional, de um país sui generis.

O racismo é o tema central deste Free State of Jones mas, como já terá dado para perceber, há muito, muito mais para lá desse elemento nuclear. Assumindo a injustiça como chavão, outros “cenários” são igualmente abordados: a Guerra Civil norte-americana, os ricos fazendeiros do algodão, o fim da escravatura, o preconceito generalizado num país (ou no Sul de um país) que pese embora as suas virtudes, estaria demasiado longe de ser perfeito.

O filme conta a história de Newton Knight (McConaughey), um homem comum que liderou um heterogéneo grupo de descontentes com a política bélica vigente no seu país – por altura da Guerra Civil – ao ponto de instaurar o seu próprio Estado Independente. Bem para lá da Guerra e das suas provações, Newt deixará a sua marca numa região, o Estado do Mississippi, que décadas passadas da sua presença ainda continuava com dificuldade em expressar alguns dos mais básicos princípios humano-sócio-culturais.

Fantástico desempenho de um omnipresente Matthew McConaughey e um belíssimo trabalho do ponto de vista cinematográfico do realizador Gary Ross. Voltou apenas critério e poder de síntese para agarrar uma História demasiado extensa para a 7ª arte.
Longe de manchar a carreira de ambos, Free State of Jones poderia ter ido bem mais além, tivesse ele seguido as máximas de Ludwig Mies – “Less is More!” – ou E.F. Schumacher – “Small is Beatiful”.

Talvez uma oportunidade perdida de fazer algo grandioso mas, ainda assim, um filme marcante e revelador. Um pedaço de história cujas ramificações ainda hoje podem ser perceptíveis… para o mal e para o bem.

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