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“A Canção de Lisboa” de Pedro Varela

Não sei se Pedro Varela e os brasileiros Luana Martau e Marcus Majella o merecerão mas é inevitável puxar a fita atrás e enquadrar esta A Canção de Lisboa na trilogia de revivalismo dos grandes clássicos do cinema português.

Leonel Vieira assinou os dois primeiros para agora assumir, apenas, as funções de produtor. Infelizmente foi essa a sequência de filmes, acabando por condicionor inevitavelmente o percurso deste último.
Ainda que os resultados de bilheteira digam o contrário, O Pátio das Cantigas será, um dos piores filmes que vi nos últimos (largos) anos numa sala de cinema. Quanto a O Leão da Estrela não consegui vê-lo. O trailer era simplesmente demasiado penoso para conseguir dar o passo seguinte.

E eis que aqui chegamos. Miguel Guilherme repete a presença (nos 3 filmes). César Mourão está de regresso, depois de “falhar” o anterior. Miguel Araújo, sim o músico, dá uma perninha na banda sonora e começa a dar sinais de que havia esperança. Mas a bagagem era demasiado pesada para garantir uma nova oportunidade.

Até que um momento de clarividência/loucura/acaso lá acabou por fazer quebrar o gelo.

O trailer e o clip de Será Amor? já tinham deixado perceber que estávamos perante uma linguagem visual melhorada e, sobretudo, perante um grupo de desempenhos que não se limitava ao veterano Miguel Guilherme. Maria Vieira e São José Lapa davam um toque de qualidade adicional mas era os brasileiros Luana e Marcus que, juntamente a César Mourão, garantiam que “a malta da novela”, desta vez, ficava em casa.

Não vamos ao ponto de achar que é tudo rosas e que estamos perante uma obra suprema mas A Canção de Lisboa está, pelo menos, anos luz à frente d’O Pátio. Um enredo com naturais lacunas mas repleto de surpresas e momentos inspirados, garante ao elenco uma confortável rede de segurança para compensar qualquer eventual excesso.
E se a contribuição de Miguel Araújo já era preciosa com o tema principal, fica ainda mais contundente quando percebemos que a sua participação inclui outras cantorias de refinado teor lírico.

Vasco (Mourão) é o típico bon-vivant. Hábil de paleio, conhecedor e bem de vida, o eterno estudante de medicina, vive livre de preocupações no seu apartamento do Chiado – que partilha com o seu amigo Murilo (Majella) – , pago pelas suas tias do Porto (Vieira e Lapa).
Mas o seu status quo está prestes a sofrer um imenso abalo quando Alice (Martau) entra de rompante na sua vida. Ele não percebe muito bem como nem porquê, mas há algo na jovem carioca que lhe tira o sono…

Porque é possível fazer uma boa rom-com (comédia romântica) em qualquer parte do mundo, e Portugal não é exceção – mesmo que seja necessário importar dois atores brasileiros para dar um toque mais malando e emotivo à situação.

É simples, ligeiro e divertido… e só mesmo num país como o nosso é possível que este filme fature um pequena fração do valor alcançado por O Pátio das Cantigas.

Dito isto, ultrapassem o pré-conceito e, arrisquem.

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Será Amor?

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