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“Viver Depois de Ti (Me Before You)” de Thea Sharrock


Vem rotulado como o romance (dramático) deste Verão, capaz de fazer até um homem grande chorar…
Quanto à parte do romance, nada a apontar. Já relativamente à parte mais melosa, o filme não chega a cumprir (trata-se de um elogio, ok!).

Bem mais ligeiro e descontraído do que as crónicas iniciais deixavam antever, Me Before You é quase (um ênfase grande no quase) uma comédia romântica. Pese embora a situação melindrosa e sensível com que se deparam os dois protagonistas, o seu relacionamento, recheado de sarcasmo, inocência e esperança, acaba por ser uma lufada de ar fresco e jovial numa sala de cinema temperada e abafada pelo calor da estação.

Apesar de terem despontado para as luzes da ribalta com fenómenos tão mediáticos como, Game of Thrones e The Hunger Games, Emilia Clarke e Sam Claflin, respetivamente, ficarão para sempre ligados a Louisa Clark e Will Traynor. Os dois jovens atores ingleses demonstram uma cumplicidade e um traquejo bem acima da média, o que resulta numa química quase perfeita.

Juntando isso a uma escrita atenta e primorosa de Jojo Moyes e uma realização despretensiosa de Thea Sharrock e temos um dos filmes deste Verão. Uma história que nos prende do início ao fim (mesmo antevendo grande parte do que irá acontecer), que nos faz rir, sorrir e lacrimejar e que, sobretudo, vai connosco para casa. Um tema simultaneamente descontraído e pesado que “obriga” à nossa própria reflexão e perspetiva. É apenas fição mas “e se fosse contigo”?

Será por ventura pedir demais a um filme que pretende apenas entreter e divertir. Mas é essa, de longe, a forma mais proveitosa de abordar temas tão delicados e desconfortáveis. Seduz-nos a início, deixa-nos desarmados a dada altura, para nos confrontar, no final, com um dilema indecifrável.

Will Traynor (Claflin) tinha tudo. Uma carreira de sucesso, uma namorada vistosa, uma família abastada e um talento inato para o desporto e a aventura, até que um infortúnio acidente o relegará para uma cama de hospital.
É já na casa de família, junto ao castelo da família, que ele encontrará Louisa Clark (Clarke), uma jovem local, modesta, tagarela mas espirituosa, contratada pelos seus pais para ser sua enfermeira.
Louisa nunca saiu da sua terra Natal. Não faz ideia como lidar com Will, o seu temperamento, o seu passado e o seu futuro. Mas sabe que para ser feliz “basta” querer/crer!

Podia ser um filme pipoca, mas não é! Podia ser um “filme Nicholas Sparks“, mas também não é (porque tem faltado faísca ao filmes do Nic). Podia ser um filme lamechas, sentimental e doloroso … mas está muito longe de o ser.
As comparações com The Fault in Our Stars serão, provavelmente, inevitáveis, mas Me Before You não é um filme sobre superação, angústia ou paixão. É, sim, um filme sobre viver.

Cada caso é um caso e, em última análise, cada um sabe de si.

O romance já teve direito a sequela. Será que o cinema lhe seguirá os passos? (longo suspiro, de todos nós!)
Será?

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Comments

  1. So sei que esse filme marcou-me!

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