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“Capitão Fantástico (Captain Fantastic)” de Matt Ross


É uma das grandes surpresas deste ano!
O cinema independente na sua verdadeira essência, desprovido de tiques, nomes e recursos.

Um filme cru, rebelde e espirituoso mas profundamente sincero que desfaz por completo todos os dogmas da sociedade em que vivemos.
São obras como esta que dão início a revoluções… ainda que nos dias de hoje esteja mais perto de ser apelidado de utópico do que propriamente de visionário.

No meio de tamanha improbabilidade há aqui algo de realmente honesto, real e belo. Mais do que um filme, a obra de Matt Ross é um legado para as gerações vindouras, um retrato cultural do que somos nos dias de hoje, uma mensagem corrosiva daquilo que nos tornamos… e daquilo que perdemos.

Ben (Viggo Mortensen) e Leslie (Trin Miller) podem talvez ter caído no extremo, levando uma vida quase nómada mas seguramente repleta de tudo o que é essencial ao ser humano. A hipérbole utilizada serve para demonstrar que o mundo em que vivemos é, também ele, uma desvirtuação do que deveríamos ser, um emaranhado de equívocos em que as prioridades parecem perdidas e desvirtuadas.
Estará, realmente, a virtude no meio termo?

A viver no meio de uma floresta algures no pacífico-norte dos EUA, Ben e os seus filhos seguem um rigoroso programa físico e educacional, longe dos parâmetros de normalidade que fomos educados a reconhecer.
Mente sã em corpo são” é o mote da família Cash mas quando Leslie adoece, deixa os seus filhos e marido entregues a um dilema colossal, “abandonar o seu estado de isolacionismo ou aventurar-se por um mundo novo e distinto” – o nosso.

Durante a larga maioria do tempo, olhamos com uma certa estranheza para o desenrolar da história. Nem é tanto a invulgaridade das situações ou dos comportamentos, é mais a sua simplicidade. Desprovidos de complexos, barreiras ou limitações Bo, Kielyr, Vespyr, Rellian, Zaja e Nai (re)agem da forma mais autentica possível, tal como o fariam os nossos antepassados se não tivessem sido inundados pelo capitalismo/consumismo/individualismo/egocentrismo/violência.

Captain Fantastic não deixa de ser bizarro, pitoresco e estranho, mas é um estranho inteligente, desafiador, introspectivo.
Algures a meio, entre a utopia e a normalidade atualidade estará realmente a virtude… é uma questão de encontrá-la.

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