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“Milagre no Rio Hudson (Sully)” de Clint Eastwood


É de certa forma “injusto” a colaboração de Tom Hanks com Clint Eastwood. Dois dos maiores nomes do cinema mundial unem esforços, ainda para mais para retratar um dos últimos heróis dos nossos tempos. Mesmo que isto não corressem bem, seria sempre muito bom!

Felizmente, o retrato singelo e singular dos feitos do Capitão Sully é um dos filmes do ano. Só por si, Tom já transporta consigo aquela áurea de herói imaculado mas quando se lhe junta o cabelo e o bigode grisalho do piloto Chesley Sullenberger, não há como resistir. Sem darmos por ela estamos a bordo daquele Airbus, na cabine de pilotagem, confiantes de que tudo acabará bem.
Do lado de fora, a responsabilidade é do tio Clint. O “velho” ator de westerns e policias tornou-se, com o virar do século, no maior cineasta da atualidade. Mostrar-nos como o avião pousou nas águas do Hudson parece, por estes dias, uma mera formalidade.

208 segundos.
Foi esse o tempo que levou o voo 1549 desde a sua descolagem no aeroporto de La Guardia, NYC, até à amaragem em pleno Rio Hudson. O filme é sobre estes irrepetíveis três minutos e vinte e oito segundos. Neles as vidas das 155 pessoas a bordo estiveram, literalmente, nas mãos do experiente piloto e do co-piloto Jeff Skiles (Aaron Eckhart). Tudo o que se segue é um mero reflexo desses momentos.

Porém, Sully, está longe de ser um filme-desastre.
O que move Tom, Clint e o argumentista Todd Komarnicki não é, propriamente, o acto heróico do piloto. Para lá da fama, das homenagens e do apreço generalizado que todos constatamos, Sully foi assolado por dúvidas, angústias e incertezas quanto às suas decisões naquela gélida manhã de janeiro. Por detrás de todas estas questões residia a Comissão que investigava o acidente.

É verdade que o avião despenha-se amara umas 4 ou 5 vezes durante o filme e que, com maior ou menor detalhe, todos nós temos presente a conclusão do processo. Ainda assim, viver de perto os acontecimentos é algo vertiginoso e é realmente incrível como o talento dos envolvidos permite transformar 208 segundos em mais de 90 minutos, mantendo o interesse, a intensidade e a atenção de forma precisa e constante.

Pode parecer estranho, dado o teor da história em questão mas fica a noção, cinematograficamente falando, obviamente, que o único entrave à magnificência do filme reside precisamente na curta duração dos factos primordiais.
Desempenhos, realização, argumento, efeitos visuais e sonoros de eleição tornam Sully num dos filmes obrigatórios desta rentrée e deixam antever que teremos notícias durante os próximos meses.

Para já fica uma bela homenagem e um filme para ser vivido intensamente numa sala IMAX… e futuramente (fica a dica para a Warner Bros) num dos parques temáticas da empresa.

208s é a medida certa para uma montanha-russa, não?!

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