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“A Rapariga no Comboio (The Girl on the Train)” de Tate Taylor


Desde que se começou a ouvir falar em The Girl on the Train (pelo menos na sua versão cinematográfica) as comparações a Gone Girl foram recorrentes. Puro engodo.

Mesmo que compreenda a tendenciosa comparação, para além do facto da protagonista e narradora ser uma mulher e de envolver inverdades e reviravoltas, não consigo alinhar com esse argumento fácil e restrito. Será o mesmo que afirmar que todos os westerns (porque tem cowboys e duelos ao pôr-do-sol) ou os filmes de terror (porque assustam e tem alguém que “gosta” de matar pessoas) são todo iguais ou, pelo menos, similares.

Desfeito este lapso, concentremo-nos. então, na adaptação à 7ª arte, do livro mais vendido e premiado, de 2015, nos EUA.
Na cadeira de realizador Tate Taylor. O realizador de The Help ganhou merecido reconhecimento fruto da sua vigorosa adaptação desse romance estupendo. Seguiu-se a vida e obra de James Brown, em Get On Up, e o impacto, pelo menos além fronteiras, já não foi o mesmo.

Mas o realizador do Mississippi parece talhado para filmes protagonizados por mulheres frágeis mas decididas e, assim, chegamos a The Girl on the Train. Como protagonista Emily Blunt que depois da breve aparição em The Devil Wears Prada, revelou-se uma das mais versáteis e talentosas atrizes britânicas da atualidade despontando em filmes de época, The Young Victoria, de ação, The Edge of Tomorrow e Sicario, e até em musicais, Into the Woods. Parece que desta vez até aos Oscars® (na forma de uma nomeação) irá chegar!

Não sei se o desempenho será caso para tanto. Mesmo reconhecendo o talento necessário para tamanha montanha-russa de emoções, não sei se será inclusive o seu melhor desempenho até ao momento mas será, por ventura, no filme certo.

Diariamente Rachel Watson (Blunt) apanha o comboio para e de Nova Iorque aproveitando essas viagens para espreitar a vida alheia através da janela, com especial destaque para duas mulheres: Megan Hipwell (Haley Bennett), uma jovem enamorada que vive o eterno conto de fadas, junto do seu companheiro (Luke Evans) e, algumas casas acima, Anna Watson (Rebecca Ferguson), a nova mulher do seu ex-marido (Justin Theroux).
Depois da separação, Rachel encontrou na bebida o caminho mais fácil para (tentar) esquecer a dor de ver outra mulher na sua casa, com um filho que nunca conseguiu ter. Até que, numa noite traiçoeira, Megan desaparece sem deixar rasto e algures na sua memória vaga, Rachel parece ter a chave para o sucedido.

Suspense, drama, traição e violência são os pontos delicados de uma obra que nos prende de início ao fim, dando-nos algumas pistas concretas para, rapidamente, nos deixar novamente no vazio.
Num jogo do gato e do rato (com as memórias de Rachel) vamos tentando construir a trama que, de surpresa em surpresa, vai seguindo o seu rumo de forma segura e coerente.

Como já vimos Blunt é centro de toda a intriga. Com uma personagem frágil e dúbia não conseguimos deixar de sentir dó e revolta pelas suas ações e convicções, mesmo cientes do seu difícil passado (recente). Mas o filme não se cinge meramente a Rachel. Também, Megan e Anna têm a sua história para contar, dando a Haley Bennett (que ainda recentemente vimos em The Magnificent Seven) e a Rebecca Ferguson (M:I Roque Nation e Florence Foster Jenkins) oportunidade para confirmarem pergaminhos e ganharem pontos numa indústria altamente competitiva.

Uma história vigorosa e, aparentemente, uma adaptação de qualidade de um dos maiores fenómenos literários dos último anos, resultam num filme adulto e desafiador que nos obrigará, a todos, a olhar pela janela na próxima vez que entrarmos num comboio.

Nunca se sabe o que podemos encontrar…

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