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“Mãos de Pedra (Hands of Stone)” de Jonathan Jakubowicz


Poucos o viram, menos ainda ouviram falar nele.

É uma pena porque apesar das suas debilidades, a incrível história de vida de Roberto Durán merecia outra consideração por parte dos espetadores portugueses. Nem mesmo o regresso de Robert De Niro ao ringue – desta vez no papel de treinador – foi suficiente.

De Niro é Ray Arcel, o mítico treinador de boxe que voltou à atividade – depois de um longo interregno, por conta da máfia nova-iorquina – para treinar um jovem pugilista do Panamá… que se viria a tornar num dos grandes do desporto.
Roberto Durán teve tudo menos uma infância fácil. Criado pou uma mãe solteira nos anos quentes da ocupação norte-americana do Canal do Panamá, a criança fez-se homem nas ruas da capital.
Com um talento nato mas pouco critério, Durán começou a sua carreira como pugilista muito cedo mas havia de ser a sua colaboração com Arcel a torná-lo uma lenda do desporto.

Edgar Ramirez (que ainda este mês tivemos o prazer de “reencontrar” em The Girl on the Train) dá corpo ao pugilista, um rapaz de origens humildes que se tornou num dos maiores ídolos do desporto no seu país. Cada vitória sua, especialmente contra adversários norte-americanos, era festejada como uma pequena vingança e um escape face à presença militar no Canal.

Mas nem só de glórias vive o filme. A sua vida pessoal, as suas famosas derrotas, a sua vida boémia, o seu papel como exemplo num país pobre, são tudo temas abordados pelo realizador Jonathan Jakubowicz. Pode-se dizer que são temas a mais, para um filme com menos de 2h, mas são os condimentos essenciais para ficar a conhecer, com alguma intimidade, um dos maiores mitos do desporto na América Central.

É um filme sobre desporto.. É um filme sobre boxe. É um filme sobre a América Central. É um filme sobre um homem invulgar. É um filme interessante ainda que parco em paixão e emoção.

Nem só de norte-americanos se faz a história dos heróis do desporto, imortalizados pela 7ª arte.
Pena que estes não mereçam, do público, a mesma curiosidade…

Referência final para o desinspirado título do filme em Portugal. É verdade que traduz à letra o título original mas acaba por retirar algum charme ao filme, acabando por perder-se uma oportunidade de encontrar algo mais apelativo. Não será por aqui que o filme passou despercebido no nosso país mas também não terá ajudado a reverter esse caminho.

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