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“Snowden” de Oliver Stone


Não sei o que será mais aterrador, a constatação do universo Big Brother em que vivemos ou a ideia de que apesar de todo a exposição mediática, revolta política e social e promessas de um “novo mundo”, NADA (de realmente significativo) vai mudar.

Oliver Stone não é realizador para seguir regras estabelecidas ou o politicamente correto. Desde os anos 80 (Platoon, Wall Street, Born on the Fourth of July), passando pelos 90 (JFK, Natural Born Killers, Nixon) até ao novo milénio (W., Money Never Sleeps) o realizador norte-americano sempre assumiu a dianteira no combate aos grandes dogmas da política e da sociedade do seu país.

E quando começou a crescer a ideia de que Snowden viria a tornar-se num filme, nenhum outro realizador poderia parecer mais adequado. Sem amarras, telhados de vidro ou pré-conceitos, Oliver Stone pegou na história do jovem informático, colaborador dos Serviços Secretos norte-americanos, e ajudou-o a revelar ao Mundo (mais uma vez) que, goste-se ou não, a privacidade é algo utópico nos nossos dias.

Os contornos gerais da História já todos nós conhecemos. Edward Snowden – categoricamente representado por um senhor de enorme talento que dá pelo nome de Joseph Gordan-Levitt – expões o mais assustador e megalómano instrumento de espionagem que permite aos EUA obter informação detalhada sobre todos e cada um de nós, de forma (aparentemente) ilegal, imoral e autoritária.
Não só os suspeitos de qualquer acto hediondo ou da intenção de praticar o mesmo, mas de todos nós, desde o cidadão comum até ao mais poderoso das figuras mundiais (políticos, empresários, etc.,etc., etc.)!

O que o filme relata, com ávido pormenor, é a experiência de Snowden (Gordan-Levvitt) nesse periclitante (sub)mundo da espionagem internacional e, noutro momento, as horas que antecederam a publicação, pelas principais agências noticiosas, de todas as provas que o mesmo possuía sobre o temerário modus operandi dos serviços de espionagem norte-americanos.

Junto a Joseph surge Shailene Woodley. A jovem atriz tarda em corroborar o sucesso do seu desempenho em The Descendants, para o qual tem contribuído as dificuldades evidenciadas pela série Divergent, da qual ela é protagonista. Snowden pode ser esse momento de inversão.
Apesar de uma personagem amplamente secundária, Shailene consegue torná-la plenamente relevante, dando vida e alma a Lindsay Mills, a jovem namorado de Edward. Talvez a figura mais complexa de todo este processo doloroso, Lindsay é retratada como alguém que estava no local certo, à hora errada. Determinada, segura e apaixonada, uma imagem que Woodley transmite com competência.

Mas Snowden não é sobre um casal de jovens “idealistas”. O assunto é um pouquinho mais sério do que isso.
Ainda não tive a felicidade de ver Citizenfour – o documentário de Laura Poitras, galardoado com um Oscar®, que relata na primeira pessoas as convicções de Snowden – pelo que este foi o meu primeiro contacto cinematográfico com o jovem analista. Não sei se resignação será o termo mais correto mas alívio está longe de ser a palavra que melhor define o meu estado de espírito ao sair da sala… e nos dias seguintes.

Um dos mais reveladores e determinado retratos da sociedade dos nossos dias, do mundo global em que nos tornamos e das forças obscuras que o determinam.

Passam os anos, ou melhor décadas, e Oliver Stone continua a ser o “mensageiro da verdade”. Ou pelo menos de uma verdade que incomoda aqueles que se continuam a sentir inimputáveis.

Mas valerá mesma a pena?? Conseguirá 1 filme (e 1 documentário) mudar a “lei” dos homens?

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