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“A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares (Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children)” de Tim Burton


Tim Burton que me desculpe mas depois de um primeiro teaser de deixar água na boca, o segundo trailer e os primeiros comentários ao filme depositaram sobre este uma enorme desconfiança e indiferença, ao ponto de apenas 2 meses depois da sua estreia (e um mês depois do seu visionamento) concretizar a sua crítica.

E tal como as expetativas se foram dissipando, também o filme segue esse percurso.
Um ponto de partida do mais peculiar que podia sair da imaginação do fantasioso realizador norte-americano, acaba por desvanecer num filme praticamente pré-adolescente com um segundo e terceiro actos que têm tanto de desinspirados, como de inesperados, dado o currículo do realizador.
A dada altura dá vontade de o comparar às aventuras de Percy Jackson… e não é necessário dizer muito mais.

Numa altura em que os super-heróis (e os seus super-poderes) invadem as salas de cinema, e em especial os blockbusters veraneantes, nada podia ser mais apropriado do que a visão fantástica de um peculiar Tim Burton. Não é a sua primeira experiência neste sub-género (mesmo que já poucos se lembraram de Batman Returns) mas será a primeira vez em que Burton tem “carta branca” para criar as suas personagens super-poderosas, ou peculiares.

É nesse campo que Burton reluz. Enquanto se dedica a explorar as particularidades de cada um dos seus “super-heróis”, o filme segue num ritmo preciso e jovial. A doçura e magia com que cada um dos atributos vai sendo desvendado, tal como o enredo principal, deixa-nos esperançosos quanto ao rumo seguido. O problema é mesmo quando o filme “tem” de encontrar um desenlace. Sem chama, sem criatividade, sem magia.

Jake (Asa Butterfield) estaria longe de imaginar o papel do seu avô (Terence Stamp) no mundo (peculiar). Apesar da relação próxima entre ambos, apenas com o seu desaparecimento é que Jake terá a curiosidade e o sentido de “obrigação” de auscultar o seu passado. Na pequena ilha britânica de Cairnholm ele encontrará a Casa da Senhora Peregrine (Eva Green) para Crianças Peculiares onde muitas das respostas que procurava – assim como perigos inimagináveis, amigos impensáveis e o seu verdadeiro papel neste mundo (peculiar) – o esperam.

Tim Burton continua a viver de um prestígio invulgar que o separa do comum dos mortais, fruto de uma originalidade e de um tom invulgares. Porém, os seus mais recentes filmes (Dark Shadows, Alice in Wonderland) começam a evidenciar alguma falta de fulgor, ameaçando o seu lugar proeminente no “cinema de autor”. Este Peculiar Children não ajuda à causa e ou se segue algo de extraordinário ou Tim Burton corre o sério risco de deixar de ser obrigatório!

Burton continua excêntrico e invulgar mas, ultimamente, sem o fulgor a que nos habituou…

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