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“A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans)” de Derek Cianfrance


Tinha tudo para estar entre os Melhores…

Michael Fassbender, o duplo nomeado aos Oscars® (12 Years a Slave e Steve Jobs), como protagonista. A seu lado, Alicia Vikander, a sueca que tomou Hollywood de rompante, vencedora de um Oscar® (o ano passado por The Danish Girl). Como realizador Derek Cianfrance, o homem por detrás de Blue Valentine e The Place Beyond the Pines. E ainda, a vencedora de um Oscar®, Rachel Weisz.
O facto de Fassebender e Vikander se terem apaixonado durante as filmagens… é só a cereja no topo do bolo!

O filme que tem por cenário o pós I Guerra Mundial, pouco herda desse período traumático para além de um ex-combatente que procura a paz interior, estilhaçada pelas vivências dos últimos anos. A temática, é bem mais pessoal e humana, centrando-se, sim, nos esforços de um casal em encontrar o seu futuro.

Drama poderoso, doloroso e impiedoso que expõe até ao tutano a ambiguidade de uma situação indescritível e de difícil impossível julgamento. Fassbender e Vikander confirmam as melhores referências, assim como Weisz – quem sabe uma das outsiders para a estatueta de Melhor Atriz Secundária – com desempenhos plenos de vigor e determinação.

Mas afinal o que falhou? Talvez seja sofridão a mais…
Entende-se o propósito inequívoco da obra mas sem um volte-face ou algo realmente contundente, acabamos por sofrer como que em vão. Dói, mói mas acabamos por ficar presos, no mesmo lugar.

Tom Sherbourne (Fassbender) está de regresso à sua terra natal mas tudo o que pretende é esquecer os traumas de uma Guerra atroz. O posto de faroleiro numa remota ilha ao largo da Austrália parece o local ideal. Isolado de tudo e todos, Tom alcançará alguma paz… mas rapidamente a sua solidão é invadida apaixonadamente pela intempestiva Isabel Graysmark (Vikander).
Juntos irão construir um lar numa ilha (quase) deserta, até que o seu futuro lhes chegará num barco a remos, onde encontrarão uma bebé de poucas semanas. Um segredo que os juntará como nunca mas que anos mais tarde ameaçará a sua paz, no momento em que conhecem a desesperada Hannah Roennfeldt (Weisz), a mãe de uma criança desaparecido no mar.

Muitos referem que The Light Between Oceans é um filme sobre uma paixão arrebatadora, sobre um amor inquestionável e sobre a dor que este pode provocar. Posso até concordar… mas não foi isso que mais me marcou.

Para mim, o filme conta a história de uma bebé/criança, de uma mãe, de uma outra mãe e de um pai. É impossível tomar partidos. É impossível não sentir o coração partido. É impossível imaginar, sem dor, como seria connosco. Ao longo do último terço do filme dei por mim a balançar sobre qual seria o desenlace mais correto. Até hoje, não cheguei a conclusão alguma. Apenas que, fosse qual fosse a solução, seria indescritivelmente dolorosa.

Ir ao cinema não é apenas entretenimento e diversão. Especialmente neste altura do ano é importante preparar o coração para ser destroçado e reconstruído de cada vez que entramos numa sala escura.

Quanto a The Light Between Oceans é uma bela obra, sim senhor, mas faltou o click.

 

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