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“A Grande Muralha (The Great Wall)” de Yimou Zhang

Foi a meia-hora mais deliciosa, proveitosa e assustadora que alguma vez presenciei numa sala IMAX (3D).

Toda a longa sequência na grande muralha (da China) é um regalo para os sentidos. Efeitos visuais, sonoros, coreografia, imaginação e os atributos da sala IMAX em pleno. Estamos tão perto, tão perto que chega a incomodar – que o digam as 3 ou 4 senhoras que não aguentaram a emoção ou o susto… e preferiram ausentar-se durante esse período.

Lá pelo meio encontramos Matt Damon, um ator de imenso talento e (cada vez mais) carisma que se aventurou por terras asiáticas para se entregar, por completo, à envolvência local. Foi o menino de Boston mas podia ter sido outro qualquer. Não que Matt não tenha correspondido às exigências do papel mas o filme pertence plenamente aos contingente chinês que encontramos à frente e atrás das câmaras… e aos monstrinhos assustadores.

Yimou Zhang assume a realização. O cineasta chinês, já assinou alguns dos mais sucessos locais, Hero ou House of the Flying Dragons. É, também, o homem por detrás de The Flowers of War. Um título estranho à maioria de vocês mas que se revelou, até ao momento, num dos grandes filmes da fantástica carreira de Christian Bale. Já na altura, um ocidental aventurava-se por terras chinesas, ainda que dessa vez num registo bem mais dramático e realista do que agora.

Mas voltemos à Muralha da China. Esse fantástico e icónico monumento com quase 9.000 kms de comprimento e que terá demorado quase 2.000 mil anos a ser construído.
Uma das lendas em torno da sua pertinência geográfica refere as ameaças oriundas do Norte desse imenso país. Durante centenas de anos, as Muralhas foram palco das mais ferozes e sangrentas batalhas da história. De um lado, a imensidão do exército chinês, técnicas de guerra dignas de Sun Tzu, a habilidade e agilidade dos combatentes mais preparados do mundo, as armas mais sofisticadas da altura e os ideais mais puros. Do outro, criaturas medonhas, repulsivas e cada vez mas inteligentes.

É no meio desta gigantesca batalha que dois pouco recomendáveis mercenários são capturados pelo exército chinês. William (Damon) e Tovar (Pedro Pascal) apenas pretendem levar a pólvora (negra) para o ocidente mas o que irão encontrar promete abalar as suas mais profundas convicções.

A dada altura o filme abandona o seu habitat natural e remete-se ao enredo mais banal e recorrente que se pode imaginar. Mas ninguém nos pode retirar aqueles intensos e deslumbrantes 30m.
Em altura de prémios, apetece dizer que será/é uma injustiça que The Great Wall não alcance pelo menos uma nomeação aos Prémios de Efeitos Visuais, Sonoros e Design de Produção.

Depois de Christian Bale, foi a vez de Matt Damon se aventurar pelo cinema chinês. A atual situação económico-financeira à escala global parece indicar que esta será uma tendência cada vez mais frequente, tal como a presença de nomes asiáticos em grandes produções norte-americanas. Desde que seja com este nível de qualidade, são todos bem-vindos!

No seu cômputo geral, The Great Wall pode não deixar grandes saudades mas ninguém pode negar que o filme é responsável por algumas das cenas de ação mais belas deste ano cinematográfico.

Aventurem-se!
Aos mais sensíveis recomenda-se, no entanto, o uso de casacos, cachecóis ou de um “ombro amigo”para camuflar alguns dos momentos mais intensos.

 

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