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“As Cinquenta Sombras Mais Negras (Fifty Shades Darker)” de James Foley


Depois da Paixão, vem o Amor, certo? E quando não há Amor… vai cada um para o seu lado?

O fenómeno global que dá pelo nome de Fifty Shades (of Grey) chega ao segundo capítulo. E se no primeiro o efeito novidade, entusiasmo, curiosidade e sexo vendeu como poucos, o que se faz para continuar a captar a atenção do púbico? Mais e melhor!

A ideia era essa mas se Dakota Johnson parece cada vez mais à-vontade, o mesmo não se pode dizer do rapaz que a seduz. Não será por acaso que Jamie Dornan tarda em agarrar outros projetos. O jovem de Belfast continua demasiado preso e inconstante, quando tudo o que se pedia era determinação e desenvoltura. Christian Grey pode ter os seus demónios mas duvido que da caneta de E.L. James tenha surgido alguém tão desorientado.

Já o tínhamos alertado na crítica a Fifty Shades of Grey. Perdido o lado mais erótico do romance – de forma a se enquadrar com as limitações do provedor norte-americano – pouco mais restava do que um singela história de amor e tensão.
É verdade que, por estes dias, rareiam as comédias românticas – com ou sem pimenta – mas reduzir este fenómeno cultural a algo tão “normal” é, no mínimo, uma oportunidade perdida.

Anastasia (Johnson) tem um novo emprego, uma vida sentimental estabilizada e os amigos para as situações. Mas, esse estado idílico é sol de pouco dura. Apesar do choque e da comoção com que terminou (no filme anterior) a sua relação com Christian Grey (Dornan), o jovem milionário permanece bem presente. É pois, sem surpresa, que os dois rapidamente reatam a relação. Sem segredos. Sem regras. Mas com muita gente a querer “meter a colherada”.
Durante quase 2 horas, tudo acontece. E mais alguma coisa.

Goste-se ou não dos desempenhos, do estilo em geral ou da falta de emoção há algo que parece inquestionável. James Foley que substitui a tão “contestada” Sam Taylor-Johnson, numa tentativa de manter a versão cinematográfica o mais possível fiel à obra literária, não conseguiu, de forma alguma, agarrar a história. Com isso, o filme perde-se em demasiados subplots, muitos deles inconsequentes ou desinteressantes… em detrimento do enredo principal.
Acredito que no livro, E.L. James tenha oportunidade de dar o devido valor a cada um deles mas, no cinema, as opções têm de ser mais incisivas e consistentes, sob pena de vermos retalhos de uma história (ou várias) sem conseguirmos acompanhar nenhuma delas.

Anastasia e Christian permanecem no centro das nossas atenções mas para além de uma ou outra cena mais caliente, o par pouco mais tem para oferecer. Não terá sido à toa que Dakota, a propósito da opção de filme ambas as sequelas em simultâneo, terá afirmado que estava cansada de (fingir) tanto sexo. Agora percebe-se porquê.

Na altura da conquista, havia viagens de planador, vestidos de sonho, uma sala (vermelha) por explorar e as famílias por conhecer. Ultrapassado tudo isto, temos alguns pesadelos para reviver e ultrapassar, apenas.

No próximo ano está garantido o derradeiro episódio desta trilogia. Aliás, os créditos finais fazem questão de o lembrar aos mais distraídos.

Bem sei que salvo honrosas excepções, o segundo filme das trilogias é, invariavelmente, o mais difícil de concretizar. É com essa ideia em mente que a expetativa – por Fifty Shades Freed – não se esmorece.
Mas alguém que dê um aperto ao Jamie e uma luzinha aos James, para que o desenlace chegue a bom porto.

 

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