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“Silêncio (Silence)” de Martin Scorsese


Silence traz-me à memória os primórdios das minhas experiências cinematográficas.

Nessa altura, a ideia de que um filme para ser merecedor da atenção dos prémios (Oscars®, mais especificamente) teria de ser chato, pachorrento, adulto e (cinematograficamente) belo, é algo que guardo com profunda estranheza. A esta distância não consigo precisar qual ou quais os títulos que ajudaram a criar essa imagem mas Silence pode passar a ser um deles.

Curiosamente os tempos são outros e mesmo (cinematograficamente) belo e adulto, Silence já não convence a crítica e os “premiadores”. Ao menos nisso estamos de acordo.

Martin Scorsese é um dos cineastas mais virtuosos das história do cinema, responsável por alguns dos momentos eternos da 7ª arte. É lendária a sua “luta” pelo almejado Oscars® de Melhor Realizador – finalmente ganha em 2007 com o fantástico The Departed -, assim como o reconhecimento generalizado do seu imenso talento.
Desde que me lembro, cada seu novo filme é sinónimo de expetativa redobrada e muitos prémios, com maior incidência ainda para as suas obras neste novo milénio. Silence tem alguns planos fantásticos, uma temática altamente fascinante mas, no demais, é um sequência de torturas, mortes e sacrifícios. Mesmo como documento histórico, acaba por ser demasiado repetitivo, quando havia muito mais para contar.

Séc. XVII
A Santa Sé estas prestes a perder o rasto e a esperança num dos seus mais proeminentes padres a viver no Japão. Após anos de proliferação do cristianismo, o Padre Cristóvão Ferreira (Liam Neeson) terá abdicado da sua fé e adotado os costumes e a religião local. Correm rumores que o Estado japonês persegue, prende e elimina todos os membros do clero e os praticantes da fé católica.
Relutantes, dois jovens discípulos do Padre Ferreira, Padre Rodrigues (Andrew Garfield) e Padre Garupe (Adam Driver) oferecem-se para viajar clandestinamente para o Japão com o intuito de obter novas informações e prosseguir com o trabalho do seu mentor.
Irão deparar-se com as maiores atrocidades cometidas em nome da religião, de que há memória. O catolicismo e todos os seus pregadores e fieis, são perseguidos, torturados, presos e muita vezes barbaramente assassinados pelo próprio Estado nipónico, como forma de opressão ao crescimento da religião. Apenas com a fé como aliado, os Padres Rodrigues e Garupe terão de encontrar internamente forças para superar as mais grotescas privações e ameaças mas até que ponto estarão preparados para cumprir o seu mandamento?

É inquestionável que Silence tem algumas das mais belas imagens, paisagens e planos deste ano. A câmara de Scorsese encontra invariavelmente uma forma distinta, um ponto de vista alternativo, para nos mostrar o desenrolar da ação. O problema é que o filme parece perdido no tempo, repetindo até à exaustão os mesmos princípios e a mesma mensagem. Talvez, a fé seja efetivamente necessária para apreciar toda a dor e abnegação mas, mesmo assim, não seria muito o que o filme tem para oferecer.

O elementos mais curioso acaba por ser Kichijiro (Yosuke Kubozuka), um pescador alcoólico, e altamente instável que pontua todo o filme mas, tal como os demais, apenas para se perder na repetitividade da sua ação e convicções.

Não será, necessariamente, uma oportunidade perdida da parte do Mestre Scorsese mas Silence é um filme difícil e nada apelativo. Noutros tempos seria apelidado de “chato, pachorrento, adulto e (cinematograficamente) belo“… e estaria nomeado para vários Oscars®.

Já não é o caso. Felizmente.

 

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