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“Power Rangers” de Dean Israelite


Há um truque, ou melhor, uma opção narrativa, nesta adaptação dos super-heróis da Saban à 7ª arte que garante ao filme de Dean Israelite uma surpreendente noção de qualidade e seriedade.

Alguns dos mais acérrimos fãs da mítica série de TV poderão sentir-se de certa forma defraudados, pela escassez de ação (ou, pelo menos, de ação apimentada pelos uniformes coloridos e pelos poderosos Zords do novo quinteto de super-heróis) mas evitando grande espalhafato e cenas recheadas de efeitos especiais, a construção de personagens acaba por ser bem mais convincente e elaborada do que seria expectável (para um filme de entretenimento).

Durante grande parte do filme ficamos a conhecer um pouco melhor Jason (Dacre Montgomery), Zach (Ludi Lin), Billy (RJ Cyler), Kimberly (Naomi Scott) e Trini (Becky G.), em vez do Power Ranger vermelho, preto, azul, rosa ou rosa. São personagens de carne e osso… e não meros “bonecos” em fatos coloridos.

O único senão é que se é possível esconder os adereços e fatiotas durante grande parte do capítulo inicial de um novo franchise (pelo menos é essa a expetativa dos seus intervenientes) é quase impossível continuar a fazê-lo nos seguintes. E aí, a exigência será outra!

Mas isso são “outras núpcias”, como é costume dizer-se.

Para já, 5 desconhecidos irão, por via de um conjunto de improbabilidades (melhor explicadas nuns casos do que em outros), deparar-se com uma descoberta resplandecente. 5 discos coloridos, uma intrigante nave espacial e algumas características físicas invejáveis, obrigarão os 5 adolescentes a unir esforços para compreenderem (um pouco melhor) o que lhes acabou de acontecer.
Porém, o sentido de urgência é bem mais periclitante, e mesmo sem interiorizarem plenamente as suas novas responsabilidades (como Power Rangers), Jason, Zach, Billy, Kimberly e Trini irão deparar-se com Rita Repulsa (Elizabeth Banks), uma sedutora e perigosa vilã, sedenta de vingança e com um apetite especial para um certo metal dourado.

Como já deu para perceber, as personagens não surgem do nada. É verdade que alguns dos seus dilemas (juvenis) parecem ter a densidade de uma folha de papel (de 30 ou 40 gramas!) mas são rapazes e raparigas com uma história, um passado e um presente minimamente lógico e estruturado.
A atenção depositada nos jovens (em detrimento dos seus alter-egos) faz com que o lado humano e emocional saia beneficiado, aproximando o espetador do enredo e minimizando a fantasia e os seus eventuais excessos.

Lembrar, àqueles que agora criticam esta adaptação precisamente pela qualidade dos seus efeitos especiais, o lado mais série Z da versão televisiva de Power Rangers que acaba por garantir aqui, um upgrade substancial, tanto em termos estéticos como narrativos. Os fatos, os zords, o megazord, os inimigos e a vilã são apresentados com um bom gosto surpreendente e promissor.

Quando muitos esperariam/anteviam que este Power Rangers se revelasse um imenso flop, ao “bom” estilo Fantastic Four, eis que o resultado final desmistifica por completo essa comparação. Os heróis da Saban podem não ter a densidade humana de outras adaptações, nem o star-power da maioria dos filmes de super-heróis mas é, objetivamente, impossível não reconhecer os seus méritos… e mais importante que isso, as 2h de bom entretenimento que proporcionam.

Quantas às (possíveis) sequelas, o seu futuro é ainda uma incógnita. Mas isso são “outras núpcias”.

Go, Go!!

   

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