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“Vedações (Fences)” de Denzel Washington


Como será expectável não vi, nem tão pouco tinha antes ouvido falar da peça da Broadway que deu origem a este Fences. Os mais atentos saberão que a peça rendeu tanto a Denzel como a Viola um Tony pelos seus desempenhos na mesma, em 2010.
O que poucos terão conhecimento é que a peça foi originalmente escrita por August Wilson (que assina agora, igualmente, o argumento do filme) em 1987, tendo garantido na altura ao elenco (do qual fazia parte James Earl Jones), assim como ao realizador, os mesmos prémios.

Não vi, nem tinha ouvido falar, mas dará para perceber – espero, profundamente, não estar a ser injusto – que o filme de Denzel Washington pouco ou nada acrescenta à premiada peça. Fora um ou outro apontamento – sem qualquer relevância – todo o enredo do filme desenvolve-se em torno do quintal/pátio da casa habitada por Troy (Washington) e Rose (Davis). O que per si não se apresenta como um condicionante da sua qualidade mas que demonstra o espírito revivalista e limitativo adotado por Denzel.

O texto é de facto brilhante. A forma como 4 ou 5 personagens conseguem transmitir todas as preocupações, traumas e exigências de uma raça e de uma classe média (baixa) entrincheirada entre os sonhos e a dura realidade, está apenas ao alcance de uns poucos. Washington e Davis mais do que justificam os elogios e prémios que têm recebido e, garantida a “classificação” dela como secundária, parece, de facto, inevitável a sua conquista do Oscar.

Durante mais de 2h acompanhamos o duelo de gigantes que se revelou este filme. Pelo meio Stephen Henderson, Jovan Adepo, Russell Hornsby e Mykelti Williamson – no papel de amigo, filhos e irmão do protagonista, respetivamente – lá tentam “meter a sua colherada” mas, invariavelmente, o enredo e o texto encontram sempre forma de voltar ao par de protagonistas.
Quase sempre através do texto – poucas vezes através da imagem, do olhar ou do gesto – a história evolui de forma constante e surpreendente, deixando-nos à margem de elementos determinantes para compor o perfil psicológico das personagens.

Alheados dos acontecimentos externos à casa, vamos recebendo as novidades de forma mais ou menos consumada, deixando pouco espaço para qualquer apreciação moral ou antecipação do rumo seguido pelo autor.  Se por um lado, o factor surpresa é altamente amplificado, por outro, há sempre algo de “artificial” na evolução das personagens.

Não preciso que todos os detalhes (me) sejam explicados até à exaustão mas, pessoalmente, prefiro acompanhar in loco a construção das personagens, ao invés de confirmar apenas as consequências dos atos consumados. Parece-me mais real. Só isso.

Chega ao fim a temporada dos prémios – falta Hell or High Water, bem sei! Filmes para diferentes gostos e feitios em que a diversidade foi, mais do que nunca, o foco central dos candidatos. A Fences ninguém lhe pode negar o título de Melhor filme do ano baseado (em minucioso detalhe) numa peça da Broadaway. Mas não posso deixar de confessar que soube-me a pouco.

 

   

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