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“Dois é uma Família (Demain Tout Commence)” de Hugo Gélin

Ainda há dias, a propósito da estreia de Médecin de Campagne, falávamos dessa força da natureza conhecida como Omar Sy. A sua parceria com François Cluzet abriu-lhe escancarou-lhe as portas da 7ª arte, em França, nos EUA e nas salas de cinema de todo o mundo.

Felizmente, Portugal passou a ser passagem obrigatória dos principais filmes francófonos – com maior ou menor apelo comercial e artístico – e se, por vezes, lá temos de “enfiar um ou outro barrete”, o saldo é consideravelemnte positivo.

É assim que chegamos a Demain Tout Commence ou, pelo menos, é assim que o filme de Hugo Gélin chega aos nossos cinemas.
Pelo trailer temos Omar Sy a encher a tela e uma espécie de Annie nos ecrãs. Mas, por dentro, temos muito, muito mais.

Sam (Sy) é o homem da festa, dos passeios de lancha, das férias e da diversão. Mas tudo irá mudar, definitivamente, quando num belo dia Gloria, um bebé de 3 meses apenas, lhe é deixada nos braços. Sem teto nem chão, Samuel mudará a sua vida por completo, construindo com a sua filha uma invulgar, divertida e improvável família. Até ao dia em que Kristin (Clémence Poésy), 8 anos passsados, decide voltar…

Se Omar é igual a si mesmo, um misto de humor, seriedade e emoção, a grande revelação do filme acaba por ser mesmo Gloria Colston. Com um à vontade incrível e uma capacidade de encaixe invulgar, que lhe permite acompanhar “taco-a-taco” o seu companheiro de cena, a jovem francesa é um regalo. Juntos, “pai e filha” dão ao filme uma emotividade palpável que se revela ainda mais contundente nos momentos de maior tensão. Rimos, choramos, questionamos e sofremos com os seus dilemas. E tudo o que estávamos à espera era de 2h de bom entretenimento.

Hugo Gélin, que nasceu bem dentro do mundo do cinema – o pai era produtor e os avós atores – assina um improvável sucesso do cinema francês, com mais de 3 milhões de espetadores. Para os portugueses, será (mais) fácil identificar o jovem cineasta com o seu trabalho como um dos argumentistas de La Cage Dorée… ou a Gaiola Dourada. Ora aí está um CV digno de se apresentar!

Apesar de baseado num filme mexicano – de seu título No Se Aceptan Devoluciones, com a lenda viva do cinema local, Eugénio Derbez, no papel de protagonista – percebe-se facilmente que há todo um novo espírito que emana deste remake francês. Tivemos a curiosidade de ver o trailer da versão original, e mesmo percebendo que revela pouco da história, uma vez que o objetivo é mesmo surpreender, fica a ideia de que o humor e o drama será bem mais exagerado e inverosímil.

É comum criticar-se os norte-americanos pela sua obsessão por fazer versões suas de sucessos internacionais, nomeadamente franceses, porém essa mesma realidade não é assim tão estanha na generalidade do mundo do cinema. E ainda bem. É verdade que por vezes, há remakes totalmente desnecessários mas há, também, filmes como Demain Tout Commence…. ou, por exemplo, The Departed.

Parece “apenas” mais uma comédia com Omar Sy… mas acaba por ser um filme bem contundente e, apesar de tudo, fantasticamente divertido. Porque entretenimento não é só rir à gargalhada, muitas vezes é, também, viver através dos (olhos dos) outros.

E sorrir, apesar de tudo.

  

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