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“A Cidade Perdida de Z (The Lost City of Z)” de James Gray

Para quem já teve o prazer de ler Jules Verne – especialmente os menos famosos Cinco Semanas em Balão ou A Estrela do Sul ou Aventuras de Três Russos e Três Ingleses – este The Lost City of Z terá o bónus de se revelar uma concretização visual e real das aventuras do escritor francês. Para os demais, é a descoberta de uma era repleta de aventuras imprevisíveis e descobertas inqualificáveis.

A única diferença é que os livros de Verne antecedem os factos verídicos em quase 100 anos!!

Adaptando a obra de David Grann que descorre a história de vida de Percy Fawcett e as suas descobertas em plena selva Amazónica, o filme de James Gray é uma singular viagem no tempo, a uma era em que a cartografia, a antropologia e a descoberta só estavam ao alcance dos mais audazes, aventureiros e sortudos.

Repleto de imagens memoráveis e autênticas – ou não tivesse sido o filme rodado em plena selva amazónica – a obra de James Gray pode fugir ligeiramente ao ambiente natural do realizador nova-iorquino mas a tela permanece coberta de tons escuros, neutros e enigmáticos.

Tal como anunciado na antevisão do filme, Charlie Hunnam acaba por ser o grande beneficiado por este projeto de vida do realizador norte-americano. O ator inglês, omnipresente durante toda a narrativa, enche a tela ao longo de mais de 2h de filme, ostentando ora um ar mais aristocrata e formal nas cenas em solo britânico, ora um aspecto mais aventureiro e “sujo”, ao longo das suas expedições pela América do Sul. Mas, sempre, com a devida segurança e talento.

Aquilo que começou como uma singela expedição por terras inóspitas tornou-se na obsessão de uma vida para o Coronel Percy Fawcett (Hunnam).
Apesar da sua carreira no exército britânico, Percy encontrou a fama e o seu propósito de vida bem longe dos campos de batalha do velho continente. Acompanhado de Henry Costin (Robert Pattinson), Percy irá liderar uma expedição pela selva amazónica para delinear a fronteira entre o Brasil e a Bolívia. É no decorrer dessa viagem que descobre indícios de uma antiga civilização… e relatos uma cidade perdida.
Apesar da postura renitente dos seus parceiros da Royal Geograpichal Society e das reservas da sua mulher (Sienna Miller) e, especialmente, do seu filho mais velho (Tom Holland), Percy não olhará a meios nem às consequências de novas expedições.
Até desaparecer, misteriosamente, em plena selva, em 1925.

Viajamos por entre as sombras, o calor e a humidade da selva amazónica. Sentimos, quase na pele, o mistério da descoberta e a incerteza do passo seguinte. Confirmamos, embevecidos, que há imagens que valem mais do que mil palavras. James Gray volta a assinar um filme de imensa qualidade. Falta, talvez, um desenlace à medida da sua intensidade narrativa e da beleza visual da sua cinematografia. Mas Percy Fawcett tinha outros planos…

Estive, até ao último momento, indeciso entre dar maior atenção ao aspeto visual e interpretativo do filme e, consequentemente, reter a imagem da imensa qualidade do filme ou focar-me no parco desenvolvimento das personagens (secundárias) e das limitações narrativas do filme e, portanto, guardar uma certa normalidade do filme.

Mas, como em tudo na vida, há sempre aqueles que preferem “ver o copo meio cheio” e os que optam por “ver o copo meio vazio”.
Pessoalmente, prefiro os primeiros!

  

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