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“O Círculo (The Circle)” de James Ponsoldt


Seja pelo talento, pela cara laroca ou pela obsessão de Hollywood em encontrar (ou criar) a próxima grande atriz da atualidade, Emma Watson parece talhada para grandes feitos. Pelos menos em comparação com os seus demais companheiros de feitiçarias.

Depois de ter brilhado em Beauty and the Beast, a jovem atriz inglesa volta a assumir total protagonismo, agora ao lado de nomes como Tom Hanks, John Boyega, Patton Oswalt e Bill Paxton. Com nota positiva, apesar de aquém das expetativas.

Tal como esperado, e apesar dos nomes grandes que a rodeiam, é mesmo a jovem atriz a assumir as despesas de grande parte do filme. Ainda que num registo demasiado sério para o que estamos habituados, é inquestionável a preocupação da jovem em abranger a maior diversificação possível de géneros. Assim se constrói uma carreira. E se aprende. Com os melhores.

Repleta de motivação e espírito de sacrifício, Mae (Watson) abraça com plena dedicação o seu novo trabalho na super poderosa The Circle. A empresa de Eamon Bailey (Hanks) e Tom Stenton (Oswalt) é o maior player do mercado da tecnologia e das redes sociais, agregando milhões e milhões de utilizadores em todo o mundo. E se as suas novas e complexas aplicações potenciam cada vez mais a interação, a partilha e a cumplicidade entre todos os seus utilizadores, motivam, também, crescentes e graves preocupações a nível da privacidade e da concentração de informação/poder.

A primeira parte do filme é um imenso “abre olhos” para a sociedade atual. Não que esta se preocupe muito com isso mas reflete com mordaz precisão, o status quo. Pressão constante sobre o desempenho. Exigência máxima, disfarçada de discurso motivacional e a obrigatoriedade de “vestir a camisola” 24/7 – ou seja, 24h por dia, 7 dias por semana.

Com um campus empresarial à imagem dos grandes poderosos das tecnologias, The Circle é uma inegável caricatura (mais ou menos futurista) aos dias de hoje… e uma assustadora visão do que nos espera. Sem limites, nem decoro, as exigências do mercado de trabalho estendem-se, cada vez mais, para lá do “normal” horário de trabalho, incentivando o estreitar de relações pessoais entre funcionários, mesmo às custas do ambiente familiar ou da própria… sanidade mental.

Pois mas se a caracterização da sociedade atual é realizada com assaz precisão, já o desenvolvimento do enredo deixa demasiado a desejar. James Ponsoldt que vem ganhando fama precisamente pela sua acutilância narrativa (como referido na antevisão a este The Circle), não consegue levar a história a bom porto, deixando-a fugir “por entre os dedos”.

Depois de construído esse retrato mordaz do atual mundo de emprego e de uma juventude mais preocupada com o que acontece no ecrã do telemóvel do que em seu redor, o filme tenta encontrar um sentido, um moral da história, mas que acaba suspenso num desenlace sem garra e sem chama.

Fica o aviso para as gerações vindouras… e para a atual.

Quanto a Emma, o futuro será seguramente risonho. Mesmo que, para já, ainda se note alguma falta de recursos para determinados registos.

   

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