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“Rei Artur: A Lenda da Espada (King Arthur: Legend of the Sword)” de Guy Ritchie


Não restam dúvidas quanto ao talento de Guy Ritchie… nem de Charlie Hunnam. Já o filme, apesar de a momentos deixar-nos completamente submersos pelo desempenho de ambos, não consegue fazer esquecer as suas próprias limitações.

A lenda do Rei Artur e dos seus contemporâneos é daquelas histórias do imaginário comum – seja na 7ª arte, seja na cultura universal – que recorrentemente encontra espaço para nova revisitação.

Coube ao realizador inglês Guy Ritchie a responsabilidade da mais recente aventura do lendário Rei Artur e o seu trabalho é, de facto, irrepreensível. O estilo visual e narrativo que tanto sucesso lhe tem gracejado, com especial relevo para o franchise Sherlock Holmes, encontra na Inglaterra Medieval um palco propício para os super slow motions, os grandes planos, o humor sarcástico, o ritmo incessante, que tão bem o caracteriza.

Quanto a Charlie, os melhores prognósticos foram confirmados. Depois de The Lost City of Z, o ator inglês volta a convencer… e de que maneira. O seu Rei Artur nascido do nada é tão convincente quanto o seu Arthur, o espertalhão que vagueia as ruas de Londinium (Londres antiga) em busca de problemas, justiça e alguma riqueza. Depois do aristocrata-militar misturado de descobridor-aventureiro do filme de James Gray, Hunnam não podia ter antecipado maior demonstração de todo o seu talento, carisma e versatilidade.

Anos depois de ter sido adoptado por um grupo de mulheres-da-vida – que mais tarde ajudou a proteger e a prosperar – Arthur (Hunnam) vê-se envolvido num perigoso jogo de interesses e traições quando consegue arrancar da pedra a mítica excalibur, a espada real. Apesar da sua relutância inicial em reconhecer o seu passado e o seu legado, o príncipe herdeiro acaba por  reclamar o que é seu por direito, depois de ameaçado pelo seu tio, o atual Rei Vortigern (Jude Law).

O que o resumo escamoteia é a presença constante de um “força negra” que permite ao filme sair do típico registo medieval para entrar pelos caminhos da fantasia e da ilusão. Arthur e o seu tio, podem ser uns tipos bem terra-a-terra mas, no final, o que ditará a diferença entre eles tem bem mais a ver com o mágico do que com o músculo.

Um pouco à imagem do que se tornou a cultura popular para adolescentes (da era pós-The Lord of the Rings e Harry Potter). Um grande exemplo disso são os videojogos que, independentemente do género – acção, desporto, aventura, shootout, estratégia – encontram, invariavelmente, forma de incluir uns pozinhos mágicos (ou de perlimpimpim, como se dizia no meu tempo) para desequilibrar a balança e fugir da realidade.

Este Legend of the Sword segue esse princípio à risca. Não basta ser forte, ágil, hábil com a espada ou com o arco, bem-falante ou galã. O importante mesmo é ter “na algibeira” uns pozinhos de perlimpimpim (ou uma bruxa) para ganhar alguma vantagem … e uns quaisquer superpoderes mitológicos para acabar com a diversão.

Hunnam parece realmente talhado para grandes feitos. Ritchie continua a ser um dos realizadores mais fascinantes da atualidade, no que ao cinema de ação e entretenimento diz respeito. Estou certo que voltarão a encontrar-se num outro projeto com maior ambição e, sobretudo, com uma história bem mais atraente, fresca e NOVA. Há quem fale de possíveis sequelas para este King Arthur. Não sei se será o local mais apetecível. Mas, quem sabe?

Ainda que no computo geral, o filme deixe algo a desejar,  os fãs de Guy Ritchie não se sentirão, de forma alguma, defraudados. Ação e fantasia de qualidade, um protagonista à medida e uma historinha razoável para encher a tela.

Mas nada de muito transcendente. Ok?!?

   

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