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“In Memoriam (The Last Word)” de Mark Pellington

Não conheci Shirley MacLaine nos seus tempos áureos. Nos anos 60, 70 e 80 a atriz norte-americana acumulou sucessos e prémios, até ao Oscar® de Melhor Atriz por Terms of Endearment. Reconheço alguns dos seus filmes pelos títulos. E a fama. O talento. A postura.

A primeira vez que a vi (no cinema) foi em 2005 com In Her Shoes (junto a Cameron Diaz e Toni Collette) e Rumor Hast It (com Jennifer Aniston e Kevin Costner). Na altura em que começou a assumir o papel de avó no cinema.

Depois de a ver em The Last Word basta dizer que se confirma tudo o que ouvi a seu respeito! Imenso talento que para lá dos 80 anos permanece plenamente ativa e arrebatadora. É verdade que a sua Harriett Lauler, já por si ajuda a criar essa sensação de longevidade e irreverência mas só uma fantástica atriz teria unhas para agarrar a personagem e levá-la para outro patamar.
Falar em Oscars e prémios iria fazer disparar as expetativas e potenciar desilusões imerecidas. Mas nunca se sabe. Pelo menos a qualidade está, certamente, lá.

Amanda Seyfried tenta acompanhar o nível. A atriz de Mamma Mia! vai aos poucos construindo uma carreira segura e competente, ainda que fosse expectável que a esta altura já tivesse almejado outro tipo de projetos. O tempo o dirá. Junto a MacLaine a jovem atriz tem o prazer de conviver com uma das grandes lendas vivas do cinema. E não se pode dizer que tenha desaproveitado o tempo.

Nota ainda para a jovem AnnJewel Lee Dixon. Por entre tanto talento e experiência, a irreverência e a jovialidade de pequena funciona como uma perspicaz lufada de ar fresco que ajuda a aliviar a crescente tensão e emoção que o filme conduz.

Habituado a controlar tudo e todos que a rodeiam Harriet (MacLaine) foi ganhando “alguns” inimigos ao longo da sua vida. Reformada e plenamente convicta das suas decisões, falta-lhe apenas controlar um último detalhe, o seu obituário. Para o fazer contrata a jovem Anne (Seyfried), uma “especialista” na matéria, com quem partirá à descoberta do seu legado – entre amigos, família e colaboradores. Mas se Harriet não é “pêra doce” agora, imaginem quando era (ainda mais) nova e irreverente!!

Como todo e qualquer drama que se preze, este The Last Word é como uma cebola(!) que se descasca em leves camadas, e começa lentamente a dar-nos uma certa “alergia” nos olhos. Nada é realmente – ou pelo menos, totalmente – como parece. Por detrás de cada decisão, ação e reflexão, há inevitavelmente uma razão. Não sei se MacLaine nos chega a dar qualquer ensinamento para a vida mas estou seguro que dá, pelo menos, para pensar.

Quanto à veterana atriz não haverá muito a acrescentar. Um talento imenso que, bem para lá da idade da reforma, parece ter encontrado nova vida no cinema. Um registo que lhe encaixa na perfeição, a sua Harriet vai de jardineira a cabeleireira, de escritora a DJ de rádio, com a mesma graciosidade e voracidade. E nós, rendido ao seu talento, limita-nos a acompanhá-la.

Tempo ainda para uma referência ao realizador Mark Pellington. Seguro, crítico e disponível (para arriscar), o futuro só pode ser risonho. Para já segue-se Nostalgia com Jon Hamm, Catherine Keener, Ellen Burstyn e Bruce Dern. A ver vamos se as expetativas se confirmam.

Please don’t have a nice day. Have a day that matters… have a day that means something. Fica a dica!

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