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“Mulher-Maravilha (Wonder Woman)” de Patty Jenkins


Porque é que o filme é tão bom?

Porque é real, divertido, colorido (para o standard da DC Comics) e, acima de tudo, porque conta uma história. De forma sincera, humana, consistente e romântica (no sentido lato da palavra).

Apesar da química entre Chris Pine e Gal Gadot e da magnifica presença da atriz israelita, o principal mérito – espero sinceramente que a Warner Bros. partilhe desta opinião, na preparação da inevitável sequela – tem de ser atribuído a Patty Jenkins.
A realizadora norte-americana que garantiu a Charlize Theron o seu Oscar de Melhor Atriz – em Monster – supera largamente as expetativas depositadas em si. Wonder Woman está bem longe de Aileen Wuernos (ou nem tanto?) mas apesar de um mundo de diferenças a qualidade é, à sua maneira, a mesma.

Ajuda (e de que maneira!) a vertente histórica do enredo. Já o tínhamos referido por diversas vezes – a propósito de First Class ou First Avenger – mas parece indiscutível que a opção de colocar os super-heróis em reais eventos históricos resulta na perfeição. Ao invés de criar intrigas desenxabidas e inverosímeis, a presença de Wonder Woman em plena I Guerra Mundial – mesmo que num pequeno e singelo episódio (fictício) – ajuda a criar um laço emocional consideravelmente mais forte.

Pode parecer estranho mas apesar de estarmos a lidar com deuses, ilhas misteriosas apenas povoadas por mulheres e indumentárias despropositadamente reduzidas, Diana Prince será até ao momento, o herói DC Comics mais real e humano do seu Universo Cinematográfico.
E, depois ainda temos o empowerment feminino. A conhecida revolução sexual da indústria de Hollywood tem aqui a sua primeira super-heroína da BD a solo e dificilmente podia ter corrido melhor!

Durante anos (séculos?) as Amazonas viveram protegidas do mundo exterior na sua paradisíaca ilha Themyscira. Apesar da paz e da harmonia, a jovem Diana sempre sentiu uma atracção especial pelas artes da Guerra e mesmo contra a vontade da sua mãe, a Rainha Hippolyta (Connie Nielsen), desde cedo começou a treinar com a tia, a General Antiope (Robin Wright), até se tornar numa verdadeira guerreira.
Mas tudo está prestes a mudar quando a I Guerra Mundial lhes abala a normalidade do dia-a-dia. Primeiro o piloto Steve Trevor (Chris Pine). Depois o exército alemão. Perante a ameaça da Guerra e a responsabilidade perante os humanos, Diana Prince (Gal Gadot) assumirá as “dores dos homens bons” e, junto a Steve, viajará para a frente da Guerra. Para fazer a diferença.

Em termos visuais, o filme segue a matriz Zack Snyder, especialmente nos momentos de ação. Essa identidade garante uma consistência entre os diferentes filmes, criando uma linguagem (visual) muito própria que a demarca dos restantes filmes de super-heróis.

Se nos efeitos especiais o filme cumpre plenamente os seus propósitos, é na emoção que ele garante o resultado final. Nem é tanto o aguardado romance ou o inevitável twist mas a cadência em crescendo que nos vai obrigando a torcer por Diana, Steve e os seus fiéis companheiros. E temos ainda a merecedora afirmação feminina de um herói pleno de razão e coração que derruba preconceitos e pré-conceitos de forma inquestionável e elegante.

O duelo final com o Deus Ares será o momento menos conseguido do filme mas, felizmente, este serve apenas para rematar um enredo que já tinha garantido o nosso sentido louvor e reconhecimento.

De qualquer forma, expetativas superadas. Responsabilidade assumida. O futuro da DC Comics na 7ª arte nunca pareceu tão risonho.

A Família – conceito comum à larguíssima maioria dos franchises de sucesso por estes dias – volta a reunir lá mais para o final do ano. Será a vez de Justice League juntar as tropas e fazer explodir o Universo DC Comics.
Curiosamente, esta Wonder Woman parece ser, cada vez mais, a sua cabeça-de-cartaz. Batman e Super-Man que se cuidem!!

     

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