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“2:22 – Hora Fatídica” de Paul Currie


Algumas dúvidas e incertezas levaram-nos a desconfiar da qualidade do filme, essencialmente em virtude do dilema aparente entre a sua vertente mais de ficção-científica e o seu lado mais romantesco. Puro engano.

É impossível negar que a ficção-científica (quase mitológica) está bem presente e é, até, fundamental para o desenrolar do filme, mas 2:22 é, acima de tudo, uma história romântica. Só não revelamos se de um romantismo mais clássico ou contemporâneo… para não estragar a surpresa.

Teresa Palmer (Warm Bodies, Hacksaw Ridge) e Michiel Huisman (The Age of Adaline) formam, ainda que de forma algo insegura e intermitente, o par romântico. Claro que o enredo não ajuda. Não bastasse a sensação de fatalismo na sua relação, temos ainda o intangível “amor à primeira vista”, sempre complicado de replicar na ficção. Ainda assim, diga-se em abono de ambos, as melhores cenas do filme acabam por ser, precisamente, aquelas em contracenam. Mas, mais do que o seu relacionamento, Paul Currie está “preocupado” com as estrelas e com as coincidências que se movimentam em seu redor.

Numa banal manhã na sempre eletrizante Nova Iorque, os caminhos de Dylan (Huisman) e Sarah (Palmer) irão-se cruzar de forma totalmente inesperada, quando dois aviões quase embatem no aeroporto JFK. Dylan era o controlador aéreo de serviço e Sarah uma das passageiras a aterrar em Nova Iorque. A partir daí uma série de “coincidências” e de sentimentos irão-se confundir numa relação meteórica e enigmática.

Não é necessário acreditar muito em destino ou coincidências para apreciar um filme bem mais ligeiro do que seria expectável. O boy meets girl com uma variação padronizada mas suficientemente bem engendrada e concretizada, resulta num filme simpático e diferente em que se destaca ainda, um dos marcos da cidade norte-americana, a imponente Grand Terminal Station.

A mais movimentada estação de comboios dos EUA, e sobretudo o seu hall central e emblemático relógio são um dos principais deleites deste 2:22. Local de eleição, o filme tira partido da sua riqueza visual e humana para torná-lo no centro nevrálgico de toda a trama. E dá uma voltade de lá voltar…

Mas voltemos a Teresa e Michiel. A jovem australiana confirma a sua graciosidade, ainda que tardando em confirmar talento para lá deste género de registos. Já o cavalheiro holandês é um daqueles nomes prestes a “explodir” em Hollywood depois de ter dado nas vistas em 2015 ao lado de Blake Lively. 2:22 é mais um (tímido) passo, na direção certa.

Mais importante do que a química desenvolvida pelo par de protagonistas é, inquestionavelmente, a capacidade do enredo em se revelar coerente e cativante, conseguindo levar a bom porto uma trama que chegou a ameaçar a um desenlace bem mais desinspirado.

Não é o comum romance de Verão mas, também, não é um filme de ficção-cietífica demasiado confuso ou “difícil”.

E vê-se, muito bem.

  

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