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“Wind River” de Taylor Sheridan

Taylor Sheridan é um daqueles nomes que não tarda a estoirar na 7ª arte.

Pode parecer injusto tal afirmação a respeito do argumentista de Sicario e Hell or High Water mas depois de se estrear como realizador (acumulando as funções de argumentista) neste Wind River, o cineasta norte-americano promete (e de que maneira!) tornar-se num caso sério de sucesso e reconhecimento nos anos vindouros.

3 histórias impecáveis (é verdade que ainda não vimos o filme com Chris Pine e Ben Foster mas só podemos confiar nas críticas) com níveis irrepreensíveis de intensidade, imprevisibilidade e qualidade. Três filmes que nos obrigam a confiar no rumo dos acontecimentos e a desconfiar de tudo o que vemos. Se uma das características que difere o “trigo do joio” é a certeza de que o que aparenta ser nunca será, então Sheridan é um mestre da escrita.

Mas não é apenas o enredo, per si. A construção das personagens, os seus dilemas e segredos, os diálogos, os silêncios reveladores. Há um misto de nostálgico e novo na sua escrita… nesse rejuvenescido western contemporâneo, recheado de forasteiros, pistoleiros e aventureiros. Mas há, também, pessoas como nós que apenas pretendem conhecer o amanhã.

E Sheridan junta à escrita um desconhecido (até ao momento) talento para a realização. De atores, de cenários, de momentos.
Jeremy Renner tem, sem dúvida alguma o melhor desempenho da sua carreira (ele que já foi nomeado para 2 Oscars, por The Town e The Hurt Locker). Ainda antes de ver o filme já tinha lido/ouvido essa afirmação algures e mesmo desconfiando da sua assertividade, não posso mais do que concordar. Contido, poderoso, doloroso e sincero, o seu Cory Lambert, é aquilo que os westerns imortalizam como um lobo solitário. Uma personagem recheada de particularidades e peculiaridades que encaixa que nem uma luva no ator californiano. E vice-versa.

O desempenho de Elizabeth Olsen não será tão efusivo ou marcante mas acompanha de perto o do seu parceiro de tela. Até certo ponto num paralelo com a personagem de Emily Blunt em Sicario, Jane Banner luta contra um certo preconceito mas neste caso que não se resume ao género mas que se estende ao estigma de forasteiro num terreno inóspito e de agente da lei numa terra selvagem.

Quando uma jovem local é encontrada morta no meio de uma tempestade de neve, o xerife é obrigado a chamar o FBI para avaliar a situação. O aparente homicídio é prova mais do que suficiente para a agente Jane Banner (Olsen) iniciar uma precária investigação já que na reserva índia de Wind River o clima, as pessoas e os recursos parecem demasiado agrestes para qualquer forasteiro. Apenas os dotes de caçador de Cory Lambert (Renner) parecem garantir a Jane a mínima hipótese de sucesso sobrevivência, já que ele conhece como poucos a região, os envolvidos e a situação, em particular.

É um dos grandes filmes deste Verão. Talvez seja até cedo para um filme deste calibre estrear entre nós mas confirma que não há uma má altura para o cinema de qualidade.

As paisagens geladas do Wyoming e os seus elementos são a última das relíquias deste filme. Alternando os tons frios das montanhas cobertas de neve com o calor humano das sempre acolhedoras habitações locais, o filme mantém-nos embevecidos pela sua riqueza visual na mesma proporção que mantém-se à parte do desenrolar da história.
E acabamos rendidos a ambos!

Grande filme.
Cheira a Oscars, definitivamente.

    

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