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“Barry Seal: Traficante Americano (American Made)” de Doug Liman


Uns quantos furos acima da anterior estreia de Tom Cruise nos cinemas. Ainda que The Mummy não seja um termo de comparação por aí além!

Filme divertido e revelador, American Made peca apenas por ser demasiado tendencioso – revelando, sem sombra de dúvidas, a “versão do envolvido” – mas mesmo assim não deixa de ser altamente competente e surpreendente.

O encanto começa no genérico de abertura. A substituição dos logótipos das produtoras pelos utilizados na época e a imagem a 4:3 ajuda logo a enquadrar ação, levando-nos para uns efervescentes anos 70. É lá que encontramos, pela primeira vez, Barry Seal, o piloto da TWA que leva uma vida modesta mas correta (ou quase!!) até que o acaso e a CIA lhe vão mudar o mundo.

Tom Cruise cumpre com a habitual competência a sua parte, sentindo-se como peixe na água por entre esta mistura de ação, humor e diversão. Acredito que Barry Seal, o original, não fosse uma figura tão descontraída e cool quanto Tom nos faz crer, mas a sua história, mais ou menos imparcial, é realmente incrível.

Quando o agente da CIA Monty Schafer (Domhnall Gleeson), o aborda para trabalhar para os serviços secretos norte-americanos, Barry estaria bem longe de imaginar o seu envolvimento na evolução geopolítica e social do continente americano na primeira metade dos anos 80.
Armas, drogas, fotos comprometedoras, dinheiro, poder, vão passar a ser os novos “amigos” de Barry. E é um tal de salve-se quem puder!!

Apesar da gravidade do tema, Doug Liman emprega ao filme um tom leve e descontraído, confirmando que não é necessário ser soturno para falar de assuntos sérios. Ajuda ter “a seu serviço” um ator da craveira de Tom Cruise mas de todo a forma não se lhe pode tirar qualquer mérito na recriação de época e do espírito de uma era em que o crime e a impunidade andavam de mãos dadas… com o Governo norte-americano.

Quase 40 anos depois, a História parece de tal forma rocambolesca que se torna impossível de acreditar que de facto “aquilo” aconteceu. Espiões e traficantes já todos vimos no cinema mas a este nível só mesmo um iluminado. A dimensão a que o negócio de Barry Seal chegou, o seu rol de conhecimentos e amizades, a complexidade dos acontecimentos e a evolução geopolítica da América Central só pode ser encarada com um sorriso nos lábios… e um saco cheio de notas.

A meio caminho entre a revelação histórica e o filme de entretenimento, American Made perde-se no seu propósito e confunde ligeiramente o seu público. O que não quer dizer que não estejamos perante uma obra de grande qualidade artística e narrativa que mesmo revelando alguma previsibilidade quanto ao seu desenlace, não deixa de entreter como poucos, ao longo das suas quase 2h de pura loucura.

Tem ação. Tem humor. Tem História.
É cinema (de qualidade)… com certeza!

  

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